14 de julho de 2010

Como ser feliz - Parte 1

Todos nós temos defeitos que nos atrapalham a felicidade e que, se avaliarmos a fundo, a maior parte deles está atrelada a fatores que nos foram impostos desde a infância e adolescência, na etapa da construção das nossas principais linhas de caráter. Se somos inseguros, ciumentos, violentos, desconfiados, se não nos damos socialmente bem, se guardamos mágoas, tudo isso pode ter um fundo psicológico guardado no nosso passado conscientemente ou não. De forma geral, podemos atribuir diferentes falhas de caráter a terceiros agentes que conosco conviveram ou aos ambientes em que nos inserimos. Mas seria isso absolutamente correto?

Cabe-nos questionar esse posicionamento das coisas. Seria o ambiente fator único ou preponderante para a formação do nosso individualismo? No atual desenvolvimento intelectivo da nossa sociedade me parece infeliz culpar o ambiente externo e os outros por nossa forma de ser. Todos sabemos que cada criança já nasce com uma personalidade própria, com uma resposta diferente a estímulos externos. Duas pessoas diferentes em uma situação psicológica adversa podem responder uma com absorção e outra com explosão. Nada seria diferente por se tratar de um estágio infantil do indivíduo: cada criança apresenta uma resposta.

Entretanto, apesar de não se poder esperar de uma personalidade infantil o exato ajuizamento dos fatos, cada indivíduo vai crescendo imerso na realidade que lhe molda o seu caráter único e ao mesmo tempo vai adquirindo todo um aparato intelectivo que lhe forneça a possibilidade de reavaliação. Em algum momento, à caminho da maturidade, esse mesmo ser começa a distinguir a sua própria realidade da externa, alcançando um nível de consciência antes inatingível. Eis a adolescência, muitas vezes marcada por manifestações de revolta, mas que não exatamente são necessárias. Aquele que estiver apropriadamente amadurecido, tendo-lhe sido proporcionada uma visão mais inteligente e de maneira gradativa do funcionamento da vida, não precisamente entrará em choque.

Mas passada essa fase, eis que surgem adultos pouco questionadores. Muitos se tornam inequivocamente conformistas e, várias vezes, se desculpam a si próprios e também aos outros usando das experiências de vida acumuladas no passado. Contudo, isso não é o correto – eis o fator chave para a felicidade. Por acaso faz sentido estarmos aqui vivendo a cada dia de maneira inerte, unicamente condicionados por experiências que tivemos no passado? Sejamos mais radicais na pergunta: tem algum propósito chegarmos às vésperas do túmulo lamentando-nos pelos condicionamentos que nos foram impostos no período-infanto juvenil sem fazermos menção de mudança? Se a resposta a essa segunda pergunta é “não”, então em que hora seremos capazes de mudar o nosso próprio jeito de pensar e agir!?

Para nos conscientizar de que os únicos responsáveis pela nossa própria felicidade somos nós mesmos, é preciso fazer uma autoanálise buscando a conclusão de que, se nós agíssemos diferente, teríamos outros condicionamentos psicológicos e seríamos diferentes que somos. É melhor para nós mesmos que possamos dizer: “como eu passei por essa fase difícil na vida, pude enxergar meus próprios defeitos, pude me esforçar em melhorar meu jeito de ser e por isso consigo ser hoje uma pessoa melhor”. De fato, não é buscar a felicidade carregarmos uma muleta onde se subentende: “tenho esses defeitos porque a vida me fez assim”.

A partir do momento em que dispusermos (psicologicamente) da capacidade de gerar a mudança em nossas vidas, sem culparmos fatores alheios a nossa vontade, podemos nos preparar para encontrar a felicidade. Afinal, se alguém está em uma situação tranquila, livre de estresse, de mágoas, de dor, se alguém estiver deitado na relva, por acaso lhe ocorrerá de mudar de repente algum defeito de personalidade? Não, a não ser que já lhe preocupe a mente, e isso por si só já é um sofrimento. Então que possamos aproveitar os traumas, as crises e os maus momentos da vida na busca do nosso próprio melhoramento, em busca da felicidade.

E o que seria essa felicidade? Alguém já conseguiu responder? Com certeza não são bens, não é a profissão, não é o dinheiro, não é alguém específico, não é qualquer situação, não é coisa material alguma. Talvez a felicidade seja a autorrealização em se perceber capaz de evoluir e melhorar ao longo da vida, apesar dos pesares, caindo e levantando, mas não parando no tempo nunca.

Autora: Érica Marina

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Ocorreu um erro neste gadget