15 de julho de 2010

Como ser feliz - Parte 2

No texto anterior, falou-se a respeito da predisposição psicológica a ser feliz. Provavelmente porque a felicidade é um estado de espírito, não qualquer coisa palpável. Entretanto, ao buscá-la, muitas vezes nos agarramos a posições, empregos, situações, pessoas ou ainda objetos materiais. Além da compreensão de que cada uma dessas coisas não é a felicidade e que podemos ser felizes independentemente daquilo que um dia passamos, é preciso ter atitude. Em acréscimo à consciência de que se deseja a felicidade, é necessária a coragem de realizar mudanças efetivas – não só as de estado emocional e posicionamento psíquico.

Por exemplo, se o seu emprego não lhe faz bem, a ponto de ser psicologicamente degradante, a ponto de lhe deixar doente, porque não o deixa? Ah!, você dirá, não encontrarei outro em que ganhe o mesmo que ganho hoje, o mercado de trabalho está difícil! Puxa, então você está vendendo sua força de trabalho a troco da própria saúde? E se o mercado está difícil, por que você está aí onde está ganhando o que ganha? Não!, você replicará, não posso ficar desempregado (a)! Acho que ninguém pode... mas não estamos falando disso. Pense na idéia de ganhar um pouco menos fazendo algo que goste mais... não soa bem? E fazendo isso você estará proporcionando uma chance de crescimento que apenas tem quem faz o que gosta. Pense nisso como um investimento, e parecerá bem mais atrativo do que vender suas forças como um estoque de recurso esgotável (que é a sua disposição em trabalhar em algo que não gosta).

Podemos fazer o mesmo tipo de análise quando se trata de relacionamentos. O propósito de se relacionar com alguém é que os dois cresçam e se sintam felizes, no geral. Obviamente, não sejamos imaturos de pensar que qualquer desentendimento é motivo para rompimento, mas devemos ter a capacidade de reavaliar, a todo instante, o conjunto da obra. Ame de maneira inteligente! Cada pessoa é um conjunto de virtudes e defeitos peculiar. Cabe que cada um se pergunte se os defeitos alheios são pequenos diante das virtudes que se apresentam – não de maneira matemática, mas segundo seus próprios princípios. Você tolera seus comportamentos negativos? E... avaliando de maneira geral, você é feliz com essa pessoa? Se você é infeliz, por que continuar? Não misture paixão com amor. Se você deseja demais ter essa pessoa para si, isso pode ser apenas paixão e esta, sem amor, morre com o tempo. Como diz Paulo na sua carta aos Coríntios,“o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz incovenientemente, não procura seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal”. O amor é calmo! O amor quer que o outro seja feliz independentemente como e com quem. Quando Camões escreveu sobre o “fogo que arde sem se ver” ele falava em paixão, por isso se feria com “ferida que dói e não se sente” na confusão dos seus sentimentos.

Por outro lado, o mal contemporâneo que deixa as pessoas extremamente infelizes é o consumismo. Todos conhecemos o uso predatório dos veículos das massas para construir seres insatisfeitos e que buscam saciar sua ânsia de felicidade comprando algo que os deixará melhor, mais bonito, mais atualizado, mais chique, mais bem vestido... ou para ter algo que todo mundo já tem... Relembro com esse propósito as palavras de Frei Betto:

“Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: ‘Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!’”

Claramente não é possível exemplificar cada situação que nos prende à infelicidade, mas esses casos devem ser o suficiente ilustrativos. Contudo, é preciso ter cuidado para não confundir fatores internos com a insatisfação que vem de fora. Necessário é ter em mente, antes de qualquer decisão, o que é que nos causa essa infelicidade e observar se há situação alternativa possível que nos deixe em condições de buscar a felicidade. Se não houver, o problema pode não estar no ambiente que se vive, nas pessoas com as quais nos relacionamos, nas coisas que buscamos ou que não temos: o problema está dentro de nós. Se qualquer situação não é boa, é porque nós mesmos não nos sentimos bem, não sabemos o que querer. Isso também não significa que para ser feliz é preciso ter algo em mente. Mas para deixarmos para trás a infelicidade, necessitamos de alternativas reais, para atitudes concretas.

Autora: Érica Marina


Ler: Como ser feliz - Parte 1

Um comentário:

  1. Muito legal seu blog Erica! Visita o meu tb www.linhadeexpressao.blogspot.com e vamo trocando figurinhas! Muito Fosfato!

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