2 de agosto de 2010

Tratando os preconceitos básicos


Para ser uma pessoa melhor, é preciso tentar entender as outras pessoas. Para isso, devemos acreditar de alguma forma que todos são iguais. Sua religião pode ensinar isso. Mas se ela não for importante para você ou eficaz nesse ensinamento, vá ao nível que quiser para de fato acreditar nisso. Vá até as minúsculas células que nos compõe ou compare-nos com a imensidão do espaço. Você poderá chegar a duas conclusões distintas: que cada um é um conjunto tão particular que não há como segregar pessoas em grupos; ou que diante da imensidade e infinitude da vida somos todos tão próximos. Não importa: apenas acredite que temos todos a mesma essência. Se não for por esses meios, talvez você possa pensar no acaso como determinador das coisas, embora isso pareça estranho já que o acaso é o nada. Sim, você é livre para pensar que nasceu de um determinado sexo, em determinado nível social, com determinada pré-disposição mental, com determinada cor de pele, em determinada época, em determinado país, em determinada família por mero acaso. Todavia, isso não faz de você melhor, pois o mesmo “acaso” poderia lhe fazer nascer de outra forma, em uma amplitude de extensões. O mesmo princípio fez com que você passasse por aquilo que teve que passar para se tornar a pessoa que hoje é. Definitivamente, você não é pior nem melhor que ninguém por conta disso. Só pode ser uma pessoa melhor quem se esmera em respeitar o próximo.

Entendendo que os outros são como você, pois são seres humanos passíveis de erros, cheios de defeitos, vícios, preconceitos... aceite-os! Procure não ser preconceituoso e lute contra cada partícula de preconceito que a sociedade, a família, as suas experiências fixaram aí em sua mente. Em algum momento da sua vida, você se deparará com pré-julgamentos à sua pessoa, em maior ou menor grau. Não digo apenas a respeito da sua cor de pele, da sua religião, do seu sexo, das suas deficiências, das suas escolhas, pois o preconceito está em tudo. Há pessoas que olham e concluem sem antes conhecer. Guarde isso para si quando for a vítima e use como arma contra seu próprio preconceito. Sobretudo: não julgue. Conhecer pessoas que você não conhece lhe dará experiências de vida e conflitos mentais que lhe amadurecerão.

Nossa época está ainda muito preocupada com tabus sexuais, apesar de ainda não ter se livrado de preconceitos muito mais antigos como o machismo e o preconceito racial. Algumas vezes, esses últimos ainda são piorados por respostas que pretendem ser à altura em vez de ser pacificadoras. Como mulher, por exemplo, eu tenho nojo do machismo, mas tenho vergonha do feminismo tão desandado como vejo por aí, que busca a inversão dos papéis ao invés de equilíbrio. Infelizmente, a sociedade reprimiu a mulher ao longo dos séculos, limitou-lhe a educação, colocou-a em segundo plano, excluiu-a de círculos sociais e tratou-a como inferior. Por conta disso, ainda criada de maneira diferente, a mulher cresce sendo tratada como um ser distinto em capacidades e habilidades. Felizmente, algumas vêm mostrando que a diferença no trato das coisas, que talvez seja a única diferença entre a feminilidade e a masculinidade, não as impedem de ser tão capazes ou eficientes em ramos do conhecimento teórico ou da aplicação prática de qualquer atividade humana.

Mas se a humanidade ainda não sabe tratar com equilíbrio o que é homem e o que é mulher, ela ainda tem maiores problemas quando se fala de sexo e, mais ainda, de homossexualismo. As pessoas ainda se debatem entre o excesso pudico e o excesso libertino. Enquanto em algumas casas os pais não conseguem ainda tratar de sexo com os filhos, ou aceitar escolhas pensadas pela simples tradição do celibato ou da sexualidade reprimida, em outros lares, fecham os olhos para jovens que se jogam sem pensar em relações sem sentimento e responsabilidade.

Eu tenho muito a criticar uma geração ou duas antes de mim, em que o namorado, para “preservar” a moça para o casamento, lançava-se às fáceis. Eu prefiro acreditar que duas pessoas se escolhem pela igualdade de sentimentos, se comprometem em um relacionamento e que, quando chega a hora, elas se pertencem unicamente. Entretanto, talvez minha forma de pensar possa parecer retrógrada para uma geração ou duas após a minha, pois a lei é o prazer, independentemente de compromisso. Mas eu devo imaginar como a falta dele deve machucar corações e escrever histórias tortas de consequências não pensadas. Cada um sabe o que faz, com certeza, e eu estou aqui para defender o não julgamento. Mas também para dar o meu conselho: não beije, não namore, não faça, não case, não se mova se não houver um equilíbrio de sentimentos. Senão, você estará se enganando ou enganando a alguém. Isso sim, definitivamente, não é bacana. Porque duas pessoas podem muito bem querer algo mais simples do que pede um compromisso... mas, possivelmente, se uma tiver um sentimento a alimentar o desejo de envolvimento, esta sairá com o coração partido.

Devido ao meu jeito de pensar que tenta ser livre de padrões e tradições, algumas vezes já me questionaram sobre o homossexualismo. Mas eu mesma já muito me questionei para tentar entender. Contudo, antes de querer entender, afirmo mais uma vez que é importante não querer julgar. Sei que há inúmeras pessoas que se sentem vitimadas pelas inclinações sexuais que elas sentem partir de si mesmas. Elas próprias não entendem, então como eu, que nasci no padrão heterossexual posso compreender?! Entretanto, ainda posso afirmar que, assim como o comportamento sexual hetero varia em grau de promiscuidade ou responsabilidade, o mesmo acontece com o homossexual. Há quem queira curtir algo de novo por simples perversão, mas há quem não tenha feito essa escolha por mera leviandade. Muitos nascem assim, com um psiquismo que não é próprio do sexo com o qual nasceu. O que nós heterossexuais devemos pensar disso? Devemos nos perguntar: e se fosse comigo? E se eu, sendo homem ou mulher como sou, nascesse em um corpo que não corresponde à minha forma de pensar?! Talvez isso corresponda muito de leve o que essas pessoas passam e elas são por isso dignas, como todos, de respeito.

Por fim, com relação ao preconceito racial, considero condenável a forma de pensar tão retrógrada como muitas pessoas tratam pretos ou brancos como se fossem essencialmente diferentes devido a uma diferença que é apenas cor. Mas acho que pior que a ignorância declarada é o preconceito velado. “Negro” é o nome de uma etnia assim como europeu ou oriental, mas somos todos de uma só raça, que é a raça humana. E acredito que essa nomenclatura é preferível a “preto”, pois, para exemplificar, não chamamos os japoneses e descendentes de “amarelo”. Entretanto, ao nos referirmos à cor, principalmente para termos de estatísticas sociais, esses são os termos corretos. Todavia, não devemos nos sentir desconfortáveis ao nos referir aos negros, da mesma forma como fazemos aos loiros. E não sejamos cínicos: moreno é quem tem os cabelos escuros. Obviamente essas características são marcantes e elas podem ser usadas como descrição de uma pessoa. Contudo, tratemos de usar o termo “negro”, com o mesmo cuidado que devemos ter ao diferenciar uma pessoa “gordinha”, “baixinha”, “de óculos”, pois talvez ela não goste tanto assim do rótulo. Mas se for com respeito e sem maldade, não tenhamos medo, pois, sinceramente, o excesso de zelo cheira a preconceito.

Autora: Érica Marina

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