10 de setembro de 2010

Honestidade de sentimentos




No seu tão conhecido Soneto de Fidelidade, Vinícius de Moraes ensinou para mim algo de novo: a fidelidade a um sentimento. O autor diz que será antes de tudo atento ao seu próprio amor de forma que, mesmo em face do maior encanto (outra pessoa?), seu pensamento ainda se encante mais com o amor que ele mesmo possui. A beleza do poema está no fato de que sua fidelidade se une à conservação do seu próprio amor, à observação dele antes de tudo. E analisando mais a fundo a questão, percebe-se que se ele fosse fiel a uma pessoa, seu sentimento talvez escapasse por outras bandas e se perdesse em outros encantos.


E assim deveríamos conduzir a vida, com a honestidade pautada na fidelidade que temos aos nossos melhores sentimentos e na observação daqueles que não são corretos. Quantas pessoas não vivem sentimentos antagônicos à felicidade, sem coragem para efetivar uma mudança? Quantas amizades potencialmente profícuas já não foram desperdiçadas em nome dos interesses de uma amizade anterior? Quantas pessoas já não compartilharam a vida, sem compartilhar os sentimentos? Quantas vezes o medo não encobriu a perseverança? Quantas vezes o orgulho não falou mais alto que o amor? Quantas pessoas já não afagaram uma esperança de amor alheia apenas em benefício do seu próprio ego? Quantas vezes alguém tentou esquecer uma pessoa na ilusão de forjar um novo amor? Quantas vezes não houve quem denegrisse os outros para sua própria evidência? Quantos erros não foram encobertos sob a dissimulação? Quantas vezes não nos negamos a nós próprios?

Que, antes de tudo, à nossa honestidade de sentimentos, sejamos atentos!

 
Autora: Érica Marina

2 comentários:

  1. Inspirada é pouco...vc foi bem fundo meeeesssmo!!
    Parabensss, valeu de muita reflexão pra mim!!
    Bjoooo

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  2. Como profundo admirador de Vinícius de Moraes e conhecedor de seu trabalho, primeiramente gostaria de lhe parabenizar pelo texto. Em segundo gostaria de acrescentar que amor não é apenas relacionado à beleza, mas sim, um verdadeiro amor é aquele que no qual mergulhamos na mais profunda essencia da alma do outro, se baseia em gestos simples e sinceros que demonstram afeto e carinho. Ademais, ambos devem seguir os mesmos planos, estarem conexos e seguir em harmonia para um caminho que culmina na comprovação e efetiva consumação do verdadeiro amor entre o casal. É isso que Vinícius defendia, e é isso que falta nos dias atuais. Parabéns Érica, escreva mais textos assim. ;-)

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