26 de outubro de 2010

Carreira profissional: como escolher ou direcionar

Dicas para a escolha de uma carreira profissional: para os pais, os jovens e para quem deseja recomeçar.

Não sou uma especialista em Recursos Humanos nem profissional da área de Psicologia, mas recolhi comigo algumas observações a respeito das minhas próprias frustrações profissionais e das pessoas próximas a mim. E é na adversidade que se aprende a dar valor nas coisas que não se tem. Talvez alguém que sempre sonhou com uma determinada profissão, estudou para isso e conseguiu, lhe diga que é preciso muita dedicação, muito esforço, renunciar uma série de coisas. E é claro que quando se tem algo em mente o que é preciso ser feito é executar um plano de ação para conseguir realizá-lo. Mas disso todo mundo sabe. O problema é que a dificuldade pode estar em não se ter algo em mente, não se saber o que quer, ter conflitos de escolha, não ter possibilidades de fazer a escolha que lhe atrai ou se direcionar a caminhos inversos aos seus sonhos. Então vamos às dicas que eu acho úteis:

1) Incentivo às habilidades e predisposições. Mozart só compunha desde os cinco anos de idade porque teve contato com a música desde novo. E se ninguém lhe desse o ensejo? Se alguém que tem uma habilidade nata para algo é privado de contato com aquilo, perde-se um talento. Por outro lado, se você incentiva seu filho a jogar futebol, isso não significa que ele vá ser jogador de futebol, mas que ele satisfará sua vontade com relação ao esporte e que, não sendo nenhum “craque”, naturalmente voltará seu interesse para atividades que tenha mais habilidade. Para todos os gostos existem milhares de cursos à disposição que ensinam de violão à basquete, de informática à nutrição, de yoga à desenho industrial. Se isso for apenas um hobby, ele ajudará a pessoa nos momentos de estresse que sempre existirão nessa vida. Mas se for uma aptidão, ela poderá ser desenvolvida em termos profissionais – um caminho que não existiria se o contato prévio não ocorresse. Se você já é um profissional formado e custa pouco investir nisso, aproveite! Aprender nunca é demais e faz bem para a saúde.

2) Não-controle: apoio e orientação. Os pais geralmente têm a tendência comum de controlar ou direcionar a decisão dos filhos. Isso vai da pré-determinação declarada à chantagem psicológica. Esse, definitivamente, não é o papel dos pais. É louvável que eles se preocupem com a repercussão da escolha do filho no mercado profissional (ler item 4), por exemplo, mas para eles cabe apenas orientar. O que não é digno é tentar se autorrealizar a partir das conquistas exigidas para os descendentes. Por mais que os filhos ainda sejam ou pareçam crianças na hora da escolha, o adulto que se formará carregará o peso da escolha indesejada sabe-se lá por quanto tempo, senão por uma vida toda. E se a preocupação dos pais é a frustração na escolha, que disponham seus filhos de esclarecimentos, mas saibam que a frustração de errar por conta-própria não é maior do que perceber que não deveria ter seguido conselhos contrários à vontade. Se o jovem se perceber em meio a um equívoco de escolha, cabe aos pais apoiarem sempre.

3) Qual a escolha certa? Muitas vezes, na hora de escolher a profissão para prestar vestibular, o jovem não sabe se decidir. Pensou por várias vezes no assunto e cada hora uma profissão lhe pareceu atraente, se alternando entre si e por vezes sendo pouco relacionadas. A resposta é escolher de maneira livre. Não escolher nem deixar de escolher porque é a profissão da moda. Não escolher para satisfazer o desejo de outras pessoas. Não ter vergonha da escolha que fizer. E se parecer que várias profissões diferentes podem satisfazer-lhe, escolha qualquer uma delas, mas não escolha outra. É comum casos como alguém que gostaria tanto de fazer Letras como fazer Biologia escolher Geografia para tentar ficar no meio-termo. Isso simplesmente não funciona. Escolha qualquer uma das profissões que pareçam atraentes, apenas.

4) Mercado de trabalho. Outro equívoco comum é a pessoa distorcer as próprias preferências para tentar encaixá-las no mercado. Não faça isso! Se você estiver em dúvida entre duas ou mais profissões, é claro que uma forma de desempate é o desempenho da profissão no mercado. Entretanto, deve-se advertir que qualquer mercado está saturado de profissionais comuns, mas qualquer um tem necessidade de profissionais acima da média. E para você ser bom no que faz, geralmente é preciso gostar. Assim, se você queria Moda e pensa em fazer Arquitetura porque parece dar mais retorno médio, pense que escolhendo assim você não fará o que gosta e tende a ser um profissional medíocre e mal encaixado no mercado. Muitas vezes, ao escolher um curso, a pessoa não vislumbra as portas que podem se abrir se ela faz com competência aquilo que gosta. Outras vezes a pessoa escolhe um caminho profissional que é diferente daquilo que ela projetou no começo da carreira, observando uma alternativa mais atraente.

5) Quando você não pode fazer o que quer. Às vezes você não pode fazer o quer porque quer demais segundo as suas condições. Você pode diminuir um pouco o seu nível de exigência. Talvez você queira passar em um vestibular superconcorrido sem poder pagar anos de cursinho e sem ter tido uma formação que lhe permita essa façanha. Mas esse curso pode ser ministrado em uma instituição menos concorrida. Tem gente que quebra a cabeça porque quer o curso naquela determinada instituição e não aceita outra. Outro fator muito comum é as pessoas desvalorizarem as faculdades particulares em detrimento das públicas, mas cada uma tem seus prós e contras (não vou me estender por aqui). Entretanto, quando alguém se torna profissional reconhecido, isso depende das experiências de mercado que teve, não mais da faculdade onde estudou. Mas se a questão não for seu nível de exigência, se outra coisa lhe impedir de escolher o que você mais quer, escolha o segundo melhor. Escolha o que gostaria de fazer mas é mais acessível para o seu caso (seja por localização, preço, financiamento, apoio ou qualquer outro motivo). Isso não quer dizer escolher um curso “parecido” – jamais – isso significa escolher outra coisa que você gostaria de fazer se não tivesse a primeira opção disponível.

6) Trabalhando... Talvez você tenha entrado na faculdade em condições confortáveis que não exigem o trabalho. Isso é até interessante nos primeiros anos, quando você ainda está se adaptando, pois a entrada em um curso de graduação é mais ou menos traumática. As exigências costumam ser maiores do que a pessoa estaria acostumada até então. Entretanto, permita-se, antes de se formar, trabalhar por algum tempo. Existem oportunidades de estágio e trainee que são adequadas para quem está para sair de um curso superior. É interessante aproveitá-las ou mesmo investir em um emprego efetivo, se a oportunidade surgir. O que acontece é que o mercado de trabalho tem sido cada vez mais exigente e procura pessoas experientes para cargos efetivos. Cada vez mais cresce o número de pessoas que se formam e ficam desempregadas, não tendo a oportunidade de empregabilidade por falta de experiência.

7) Nunca é tarde. Existem várias pessoas hoje em dia que depois de casadas e com filhos voltam a estudar. É lógico que, para fazer uma escolha como essa, é preciso planejamento. Com certeza é muito mais fácil se sentir realizado se a profissão é bem escolhida quando ainda não há compromissos maiores. Mas não existe ninguém velho demais para continuar aprendendo. Às vezes, durante a vida, surgem também outros interesses que não existiam anteriormente e é sempre bom dar margem a outras oportunidades e a novos aprendizados.

8) Realização profissional X qualificação X escolarização.
Por fim, é preciso ressaltar, porém, que a qualificação profissional não depende necessariamente de escolarização. Existem certos nichos de mercado em que o que conta é a experiência ou a habilidade. Contudo, é importante investir sempre na escolarização, pois ela é uma forma de segurança profissional. Talvez você invista em uma carreira não requer maiores qualificações. Mas continuar estudando e obter uma formação é um meio de garantir empregabilidade caso o seu projeto não dê certo ou demore para isso. Por outro lado, garanto que qualquer um pode abrir mão da escolaridade que tem para se engajar com sucesso em uma oportunidade diferente. O importante é ter em mente que a sua realização profissional será parte do seu bem-estar e, por que não dizer, da sua felicidade.

4 comentários:

  1. Bom texto... mas é daqueles que deixam uma vontade enorme de quero mais!!!
    Acho que é porque ele trata vários aspectos da "escolha e direcionamento da carreira" e, por publicá-lo em um blog, existe a necessidade de reduzir o tamanho do texto.

    Em relação ao item 6, tenho perguntas para te fazer.
    1) No caso de alguém com formação e trabalhos totalmente acadêmicos (ou administrativos ligados à universidade), como ingressar no mercado de trabalho (fora da academia)?

    2) Alguns cursos podem ter formação muito teórica, assim seus alunos se formam sem saber em quais tipos de empresa e de atividades podem aplicar seus conhecimentos.
    O que o aluno pode fazer para, depois de formado, ter acesso a estas informações?

    3) Como saber se o conhecimento teórico de uma ótima universidade pública é suficiente para garantir o ingresso no mercado de trabalho?

    Este foi o primeiro texto que li do seu blog. Farei questão de ler outros e comentar!

    Grande abraço!

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  2. Respondendo:
    1) Às vezes, alguém que se dedica a trabalhos acadêmico tem, realmente, dificuldade de se inserir no mercado de trabalho não-acadêmico. Como fazer isso? Tentar uma mudança "lateral". Pegando "bicos" em outras áreas que permitam que você consiga ter um currículo não-acadêmico aproveitável.

    2) Sim. Eu mesma tive uma formação acadêmica em Universidade pública e a maior parte do que você fará no mercado de trabalho você só aprende trabalhando. "Learning by doing".

    3) O conhecimento teórico nunca é suficiente para aplicações práticas específicas. A sua formação vai ser útil como forma de pré-selecionar aptidões. Ninguém espera que você entre no mercado de trabalho já sabendo o que vai fazer.

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  3. Olá Érica!!!

    Muito obrigado pela resposta!
    Aproveitando... vou perguntar mais... rs

    No seu caso, que tipos de bicos teve que fazer?

    Me conte um pouco sobre sua história. Que tipos de trabalho faz atualmente e como fez para chegar onde chegou...

    Grande abraço!

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  4. No meu caso, eu que já tinha feito duas iniciações científicas, decidi trabalhar a partir do último ano de graduação para que isto facilitasse minha inserção no mercado de trabalho depois de formada. Deu certo!

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