30 de dezembro de 2010

Dinheiro: nem problema, nem solução



Os ditados populares muitas vezes são fonte de um pensar limitado, pouco inteligente, que talvez não se possa chamar de sabedoria. Todavia, em contraposição a um raro ditado sábio, muitos têm a resposta pronta: “dinheiro não traz felicidade, mas manda buscar!” Será? Não é senso comum que a felicidade é interna?

O que se percebe ao caminhar por essa vida, analisando sua própria história, como também a dos outros, é que as pessoas não têm sabido buscar a felicidade. Notamos facilmente na escolha alheia a prostituição de suas virtudes: viver ou fazer certas coisas por dinheiro. Mas não devemos julgar, pelo contrário. A observação das falhas alheias só é útil para o nosso próprio aprendizado, observando em nós mesmo germes similares de más inclinações. Cada um de nós, nessa sociedade consumista, tem uma parcela dessa característica[1] .

Sejamos conscientes: quantas vezes não nos prostituímos? Não no sentido primeiro do verbo, mas no sentido que corrompemos o nosso próprio querer, nossa vontade, nossos sentimentos, pura e simplesmente pelo dinheiro envolvido. Talvez você possa repelir, à primeira impressão, esse pensamento, pois, afinal, você é uma pessoa digna. Mas às vezes, você aceita uma situação, um benefício, um presente, um emprego ou qualquer outra coisa que não lhe agrada os sentimentos, mas lhe proporciona vantagem financeira. E fica a sofrer a sua infelicidade sem a coragem de abrir mão de um pouco do dinheiro que ganha. Para quê?

O fato é que as pessoas têm trabalhado e se esforçado cada vez mais para pagar cada vez mais contas que elas criam em virtude da necessidade de preencher um vazio dentro de si. Em busca de autoafirmação, de repente os objetos perderam sua utilidade principal e viraram grife ou competição por status. É lógico que temos o direito de alentar nossos sonhos de consumo. Mas uma vez conquistados, eles cessarão? E o sonho de felicidade? E o tempo para si, os momentos de paz, a contemplação da vida, a convivência com pessoas queridas?

O dinheiro tem que ser posto no seu devido lugar: o meio. Ele deve ser a condução do trabalho que você realiza às necessidades que você tem. Do mesmo modo que o fio condutor de eletricidade traz a luz que você precisa para iluminar o quarto. O fio é como o trabalho, a eletricidade é um fluxo como o dinheiro, mas o que você deve buscar é a luz. Como é que perdemos isso de vista, fascinados por algo que não tem valor intrínseco?

Logicamente que, embora não tenha em si próprio o valor, mas como o meio necessário para todas as atividades econômicas, o dinheiro deve ser utilizado com zelo, cuidadosamente conservado. Recomenda-se sempre a inteligência e a precaução financeira, o seu bom uso e a parcimônia necessária a segurar possíveis adversidades. Contudo, que esse cuidado não nos escravize! Afinal, o objetivo de todos nós deveria ser, simplesmente, a felicidade.


Autora: Érica Marina




[1][N.a.] Hugo Ribeiro, um dos meus leitores assíduos, me sugeriu há dois meses que eu falasse sobre o consumismo. Demorou muito para eu pensar a respeito, me perguntando qual seria o limite dele. O que torna uma pessoa consumista? Até que ponto eu sou ou não consumista? Analisando sob essa perspectiva, achei difícil nos diferenciar uns dos outros. Parece-me que a tendência é que quanto mais dinheiro uma pessoa tenha, mais desejos, luxos e falsas necessidades ela terá. Assim, não é justo que eu diga que a pessoa é pouco consumista porque ela tem pouco dinheiro. O único limite que eu posso ver ao consumo é que cada um viva dignamente com o que ganha. Mas se alguém tem mais do que o que achamos que deveria ter para uma vida digna, qual seria então o limite? Por outro lado, quanto mais dinheiro tivermos, maior será o mínimo que imporemos para o que julgamos necessário. É um raciocínio que não consegue ter um ponto final.

2 comentários:

  1. Olha, Érica, eu postei no meu blog alguns dias atrás exatamente sobre o valor que as pessoas dão ao dinheiro. Agora lendo esse texto incrível, concluo que muito ainda teremos que refletir e discutir até que tenhamos claro o papel que o dinheiro deve ter na vida de todos nós. Uma coisa é certa, ele é necessário, mas não em quantidade, mas em suficiência. Agora o que é suficiente??? Bem... outra questão, rs... Bjs... @Daniellecfb

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