1 de dezembro de 2010

Maledicência: veneno a silenciar


"O homem é dono do que cala
e escravo do que fala." (Sigmund Freud)
 Tem quem se vanglorie por falar o que pensa apesar do veneno de suas palavras. Quando, na verdade, não deveria pensar o que não poderia falar. A maledicência, ou fofoca, está entre as piores formas de controle social. Muitas vezes refletimos demais a respeito do que os outros vão falar e vão pensar em virtude de nossas atitudes quando, na verdade, deveríamos estar unicamente preocupados com a nossa felicidade, o nosso bem-estar, o nosso aprimoramento pessoal. Outras vezes, somos realmente prejudicados pelo que vieram a falar de nós.

Quando nos deparamos com alguém que fala mal de outras pessoas de maneira generalizada, logo nos afastamos e procuramos preservar nossa intimidade e os pormenores de nossa vida, tentando evitar que o mal hábito dessa pessoa também nos atinja. Se há alguém que se descuida nesse sentido, deveria passar a zelar pela discrição em face daqueles que não se mostram dignos de compartilhar sua vida.

Porque é verdade que todo o crime, toda a violência, toda traição, toda contenda se insinua por palavras e por meio delas se planeja. Se a comunicação do homem se projeta para a propagação das boas obras, por outro lado, ela também é vítima do mau uso. Às vezes, uma informação pessoal dita sem maiores considerações vira a pedra angular da calúnia.

Se conhecemos alguém cuja língua fala solta, aumenta verdades, inventa mentiras, joga um contra o outro, nada mais é do que autodefesa a postura discreta diante desta pessoa. Também não deixemos que a vida dos outros seja depravada, deliberadamente ou não, por uma informação que sai de nós. A mesma discrição que reservamos a nós mesmos, devemos também aos outros.

Por outro lado, atribui-se a Sócrates a determinação de três crivos que devemos levar em conta ao receber uma notícia: a verdade, a bondade e a utilidade. Se qualquer um deles falha, não há porque levar à frente o que nos chega aos ouvidos. Em geral, somos tentados pela curiosidade a saber o que se passa na vida dos outros. Para que isso? Apenas para poder alimentar uma vontade mórbida de controle da vida alheia.

Se um colega lhe vem com mal-falatório, demonstre seu desinteresse. Caso um familiar pergunte da vida do outro, poupe-o de detalhes que não lhe dizem respeito. Assim, esquivando-se da maledicência, deixa limpo o seu próprio nome. É muito simples fazer isso:

- O que se passa com fulano depois de tudo o que aconteceu?
- Bem, ele não pode estar... – isso é possível dizer por que é óbvio.
E se a pessoa insistir:
- Mas e aí? O que aconteceu depois?
- Eu não gosto de fofoca, não sou eu que vou começar uma.

2 comentários:

  1. Oieee Érica...adorei esse artigo seu!!
    Creio que esses dizeres são muito oportunos, pois vivemos em uma sociedade que parece ser controlada e movida por boatos, fofocas, comentários maldosos e por aí vai.
    Acredito que, como voce mesmo escreveu, Sócrates disse tudo ao relatar que devemos observar os 3 crivos: a verdade, a bondade e a utilidade.

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  2. É a pura verdade. Parabéns pelas "palavras bem ditas".

    Seguindo! =D

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