29 de dezembro de 2011

Transição de ano


Acredito que o ser humano tem a necessidade de periodização. É sempre bom concluir uma etapa e poder começar uma outra: ânimo e fôlego novo. Mas, além disso, cada etapa permite-nos recapitular. Por isso eu quero, antes de desejar um feliz ano novo, agradecer a todos que estiveram comigo no ano que passou e fizeram a diferença em minha vida.

E por fim, que o próximo ano seja tão maravilhoso quanto puder ser, entendendo que é a humanidade – incluindo tanto o riso quanto o choro, tanto os ganhos quanto as perdas, tanto os acertos quanto os erros – que faz a vida ser tão bonita.

Mas se for para chorar, que seja de emoção.

E se perdermos, que não seja por nossa falta.

Que os erros sejam pequenos e contornáveis e nós, sempre humildes para assumi-los.

 
 
Autora: Érica Marina

6 de dezembro de 2011

Raciocínio nos tempos de internet?


Há pouco tempo, as redes sociais faziam modificações esporádicas e leves. Isso ficou para trás. O ambiente da internet virou uma superprodução altamente alavancada. As mudanças constantes começaram do ímpeto de acompanhar o usuário e não perder a sua atenção ao cúmulo de irritá-los.

Agora não temos apenas uma enxurrada de informação, mas uma avalanche de novos procedimentos. O nosso cérebro pode até estar habituado ao ritmo dos tempos da internet, mas certamente ao ver uma interface diferente, ele trava.

Minha pergunta é: o que será de nosso cérebro?

Fazendo um paralelo: certo que, por mais que a ciência, a engenharia de alimentos, a medicina e a nutrologia tenham se desenvolvido, qualquer ser humano de hoje em dia tende a se alimentar bem pior do que um outro de cinquenta anos atrás. Com abundância de industrializados, fora ou dentro de casa, de um nugget ao simples molho de tomate pronto, isso nos torna definitivamente menos saudáveis.

E com relação ao que o nosso cérebro anda consumindo? Uma série de informações desorientadas, sem priorização de relevância, tomando nossa atenção do dia-a-dia, absorvendo nosso tempo de lazer. O que será do pobre coitado do nosso cérebro? Será que ele anda sendo bem nutrido?

Acima de tudo, eu penso que a capacidade de raciocínio depende de organização, na medida que é a partir disso que se realizam manobras como classificação, comparação, correlação. Em meio a uma chuva de informação, recebida cada hora de uma forma, nosso cérebro está tão incutido no processamento, que eu tenho a impressão que se torna bem mais superficial a compreensão.

Lógico que não é preciso refletir muito sobre grande parte do conteúdo que se publica na internet, mas sinto que nosso cérebro vem sendo condicionado à análise superficial de tudo. Afinal, de onde vem o aprimoramento em qualquer coisa se não na repetição? E o que temos repetido em nossos dias além da nossa coordenada alienação em massa?


Autora: Érica Marina

28 de novembro de 2011

Até que ponto ser egoísta é ruim?

Tem hora que não podemos opinar sobre a vida alheia, não podemos julgar a decisão dos outros, não podemos decidir por eles, temos que respeitar.



Mas depois que decidiram e resolveram o que bem entenderam, por que é que cabe a nós dividir os "frutos"?


Tem hora que egoísmo se confunde com tolice e, para não pecar pelo primeiro, passamos o atestado.


Autora: Érica Marina

20 de novembro de 2011

Sofrimento

Qualquer dor física é irrecuperável na memória.

Mas tem um tipo de dor que ninguém consegue entender melhor que nós mesmos. Só consegue entender inteiramente quem já passou exatamente pelo mesmo. E a pessoa quando te olha, sentindo a mesma dor, resgata o sofrimento não-curado de dentro de si própria. Ela se olha no espelho que é o outro, e se lembra do quanto dói.

Essa dor cravada na memória, fossilizada em mágoa, esse sofrimento que martiriza às vezes anos a fio, bastando ser lembrado, é a dor que só um ser humano pode causar ao outro. Privação, negação, não-amor, luto, saudade, humilhação, assédio, arrogância. É o ser humano que mais machuca o próprio ser humano.

E nesses dias em que a tristeza toma conta, esquecemos de olhar a vida com o otimismo habitual e nos vemos como miseráveis que lutam a encontrar dias felizes em uma vida de sofrimento. Nos sentimos iludidos buscando recompensar com algum esforço os momentos ruins da nossa própria vida, ou pior: percebemos que estamos nos esquecendo de correr atrás. São nesses dias que nos damos conta que o final feliz não existe.

Nesses dias é que precisamos do remédio tão em falta: amor. E na falta de amor, buscamos, no mínimo, identificação. Queremos conversar com alguém que saiba o que estamos sentindo. Precisamos ler algo que traduz exatamente o que se passa no nosso interior. Em síntese, necessitamos encontrar como nossa própria salvação a esperança de que alguém, ser humano como nós mesmos, já se sentiu exatamente como estamos nos sentindo.

Até nesses dias, entretanto, podemos extrair algo de bom (e eis que vem de volta o otimismo para nos resgatar). Podemos nos dar conta de quanto amor está faltando e construir a força de vontade para buscar este mesmo amor. Pois é nessas horas que queremos que o universo nos abrace e depois nos deite no colo, fazendo carinho e esperando nossas lágrimas secarem.

Quando as últimas lágrimas escorrerem, que possamos perceber que há uma certa beleza nesse sentimento tão humano que é a tristeza. E logo após, que nos decidamos voltar à busca interminável.





Autora: Érica Marina

31 de outubro de 2011

Simbolismo exagerado e descaracterização

Quando eu uso a palavra “amor”, dificilmente eu conseguirei chegar mais próximo do sentimento que eu quero expressar. Claro que existem sentimentos que eu sinto que ainda não têm nome ou, se o nome existe, eu não conheço. Contudo, eu poderia criar um nome específico para aquele sentimento. E nesse sentido a palavra em si é o símbolo mais próximo de qualquer objeto concreto ou abstrato a ser definido.



Na hora que eu represento o amor com gestos, com um desenho (que já se convencionou o coração), com outra representação qualquer, eu tenho um desgaste ainda maior do que quando eu uso a palavra amor repetidamente. Se em cada página do meu caderno houver um coração, ele já será abstraído da minha percepção, e passará a ser apenas decoração.

Eu não faço tipo, não penso assim porque eu quero, porque eu construí uma ideologia em cima disso. Meu cérebro simplesmente funciona assim. E eu tenho a percepção de que deve ser assim com todo mundo. Então quando o Natal vira enfeites dourados, papais-noéis, árvores de natal, luzes sem fim... eu olho para tudo isso e perco Jesus. Não é para protestar que eu escrevo isso. Eu me sinto assim.

Autora: Érica Marina

21 de outubro de 2011

A arte de doar


Se você é possessivo, pense bem antes de dar alguma coisa para alguém.  Isso é uma ação unilateral de alienação sem contrapartida: o objeto deixa de ser seu por sua livre e espontânea vontade e passa a ser do outro. Ponto final.

Ou seja, a doação não requer como contrapartida que o outro aprecie, que dê valor, que cuide bem do objeto recebido ou o que for. O receptor não tem que agir como você pretende que ele deveria só porque você cedeu algo. Não se trata uma troca de favores a não ser que fique estabelecida esta condição explícita.

Além disso, você deixa de ter controle sobre o objeto. Você perde os direitos de acompanhar, de cobrar, de ter de volta, de tirar um pedaço. Aquilo deixa de ser seu por sua própria decisão – e não há segunda decisão sua, a não ser que por benevolência do destinatário.

Se for para mudar de mãos em caráter de doação, é para esquecer que um dia foi seu. Isto, sim, é doação. O resto é empréstimo com juros.

Autora: Érica Marina

4 de outubro de 2011

Relacionamentos insolúveis

“Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar”
(Renato Russo)




A vida está cheia de pessoas que nos machucam pelo jeito que são e pelo jeito com que lidam conosco. Não existe forma de tratar o relacionamento com elas. O desequilíbrio partirá sempre do mesmo lado e acabará atingindo o outro. Ter a consciência da não-solução do conflito é importante para que você não se desgaste à toa.

A medida mais eficaz é calcular a distância segura e saudável entre esses dois lados. Para as pessoas com quem você não tem necessidade nenhuma de continuar aceitando, talvez um “nunca mais”. Para aqueles com quem você terá que conviver necessariamente, que você conquiste, pelo menos, o seu canto de paz inviolável. E não tente mudar ninguém: apenas se preocupe com sua própria saúde, antes que você perceba que ela se foi.

Autora: Érica Marina

20 de setembro de 2011

Adaptação humana


O ser humano parece ser absolutamente maleável. Mas acostumar-se é uma questão de conformidade. Por isso que a aceitação de novos cenários varia de pessoa para pessoa, pois segue o ritmo ditado pelo seu intelecto, pelos seus preconceitos, pela perspectiva de mudança e pela vontade de mudar.
Logicamente a adaptação para uma situação melhor é quase automática e, por mais que seja traumática[1], não haverá resistência. Com relação à adaptação a uma situação pior, pode-se estabelecer os chamados cinco estágios do sofrimento[2]:

1. Negação e isolamento: em primeiro lugar, é difícil acreditar que algo tão ruim aconteceu ou está acontecendo.
2. Cólera (raiva): depois, quando a pessoa se dá conta do que aconteceu, ela sente raiva.
3. Negociação (barganha): promete-se algo ou tenta-se alguma coisa na esperança de uma bênção que mude a situação atual.
4. Depressão: fase intensa do sofrimento.
5. Aceitação: é a fase final, à qual nem todos conseguem chegar.

Em primeiro lugar, a aceitação só é possível se não há nada que impeça o fluxo normal de desenvolvimento da mesma, como, por exemplo, um preconceito arraigado. Em segundo lugar, a adaptação a uma nova situação é sempre mais fácil quando não há perspectiva de mudança. Entretanto, mesmo sem perspectiva, pode haver renitência e isso é uma questão de personalidade.

Por fim, acima da necessária capacidade de adaptação, é preciso desenvolvermos o conceito crítico que nos permita avaliar o que realmente devemos aceitar. Um caminho é verificar se a possibilidade de reversão de uma situação difícil é factível e, caso seja, se o esforço vale a pena. Também é necessário lembrar que muito do que se aceita com sofrimento é para evitar outro sofrimento que é processo de mudança para melhor.

De qualquer maneira, ser flexível e aceitar a mudança é uma forma de minimizar o sofrimento – seja para aceitar a transformação irreversível ou para preparar um redirecionamento agora regido pela vontade pessoal.


Autora: Érica Marina





[1] Mudanças drásticas positivas também podem traumatizar.
[2] Esse é um modelo consagrado estabelecido por Elisabeth Kübler-Ross utilizado para explicar o comportamento diante da morte iminente (pacientes terminais), do luto e de tragédias pessoais.

3 de setembro de 2011

Epifania programada



Em primeiro lugar eu escolho a honestidade. E com isso eu não quero dizer me permitir comentários ácidos, como muitos dos que se dizem honestos. Eu escolho ser honesta, por que eu sinto que uma força incrível me protege enquanto eu trilho o caminho correto. Eu ainda tenho fé.


Eu escolho ser correta comigo mesmo e fiel aos meus sentimentos. E com isso eu sei que posso ser feliz. Quero poder acreditar em mim mesma. Quero poder escolher minha vida. Quero poder conhecer meus erros passados ainda sim me amar. Quero poder escolher o futuro com liberdade.


Eu me amo! Como eu posso, às vezes, me esquecer disso? E quero poder me amar sem prejudicar ninguém. Que eu realize meus desejos e meus caprichos sem roubar o espaço de qualquer outro. Isso porque, para quem acredita, a vida é abundante.


Eu preciso às vezes pensar em mim mesma em um instante de epifania. E é nesse momento que eu vou sentir que a vida faz sentido e que um sentimento maravilhoso me completa em harmonia com o universo. Só isso basta, eu não deveria precisar de mais nada. E quando eu acordar do meu delírio, o mundo parecerá mais bonito, porque eu terei posto outros óculos.

Autora: Érica Marina

22 de agosto de 2011

O que é gay está na moda?

Publiquei em novembro de 2010 um texto sobre homofobia e homossexualismo que é imbatível no número de visitas ao meu blog. Sempre quando não há divulgação de um novo texto, lá aparece ele como o mais visitado: dia após dia, semana após semana.

Isso me incomoda um pouco sob o ponto de vista intelectual: será que eu não consigo mais superar o texto que talvez seja o melhor que eu já tenha escrito? Comentei com uma amiga que eu não consigo trazer tantas visitas ao blog com qualquer outro texto... E eis que ela me respondeu: “é que esse assunto está muito na moda!” Será? Eu me pergunto: será mesmo por isso? Também escrevi sobre outros temas polêmicos, escrevi também leituras mais leves, mas eis que as estatísticas sempre apontam o mesmo artigo sobre a homofobia.

Quando escrevi aquele artigo eu tive medo: era um esforço pessoal de uma heterossexual em entender o homossexualismo e justificá-lo perante os preconceituosos, mas tentando vencer em mim mesma os meus próprios preconceitos. Um esforço de esticar a mão ao próximo e fazê-lo entendido, mesmo que eu não estivesse em sua situação. Pensei em pedir opinião de um amigo homossexual, mas tive medo de parecer ridícula no meu esforço de compreensão. Apesar disso, alguma coisa me diz que eu fui feliz na forma como expressei o pouco que posso compreender. Acho que o que justifica os acessos ao meu texto é que não existem outros sobre o tema que sejam do mesmo esforço de compreensão.
Pois o que é gay, definitivamente, não está na moda. O assunto vem sendo mais discutido, pois os homossexuais têm ganhado expressão e voz. Isso não significa que o mundo esteja aberto a discutir a homossexualidade. As pessoas como um todo não têm maturidade para isso. Se você leva esse tema a ser discutido, haverá quem diga: “Acho esse tema muito polêmico. Tem muitas pessoas cristãs no grupo.” Hein??? Quer dizer que uma pessoa de bom senso não pode ser ao mesmo tempo cristã?

Percebendo as dificuldades de inclusão social total, que seria sem preconceitos, sem rótulos, sem pré-julgamentos, dedico aquele meu texto a todos que se sentirem justificados por ele e desejaria que eu pudesse lhes compreender melhor.

Érica Marina



Ler o texto em questão:
Homossexualismo e homofobia: a querela deste século.

3 de agosto de 2011

Às minhas eternas amizades


Bateu uma saudade... uma saudade de todo mundo que, mesmo estando longe, mesmo não vendo há séculos, todo mundo que eu posso realmente chamar de amigo.
Todo mundo que foi importante para mim um dia e, por isso mesmo, continua sendo importante hoje, pela força que uma memória tem de me fazer diferença, pela capacidade que o passado tem de ter me feito diferente hoje.
Tenho um sentimento saudoso por tudo o que não vivi com as pessoas que eu deveria ter aproveitado mais.  Aquela que mudou de cidade, aquela que voltou para onde veio, aquela que, mesmo estando na mesma cidade, tem a vida tão corrida... e também aquela que, por conta da minha própria correria, eu não consegui mais ver.
Mas essa saudade, ao mesmo tempo que dói... essa saudade é linda. É um sentimento que aperta no peito, mareja os olhos, mas é colorido em gratidão sem fim.
Esse sentimento ainda persiste e eu dedico como uma flor àqueles que continuam em minha vida pela força de uma amizade infinita.

Autora: Érica Marina

2 de agosto de 2011

Eu não quero ser a mocinha!


Está certo que hoje em dia, honrando a inteligência dos espectadores, a maioria dos filmes está repleta de personagens complexos: ou seja, não são totalmente bons nem maus, assim como qualquer pessoa real. Mas ainda hoje em dia os filmes hollywoodianos utilizam de certos estereótipos de longa existência como o mocinho, a mocinha, o herói, a heroína, os vilões.
Agora, o que me incomoda mesmo é que ainda existem muitas “mocinhas” nos filmes. Pelo simples fato de que as mocinhas não são o equivalente feminino dos mocinhos. Eu explico: certos roteiros colocam toda a pró-atividade e capacidade de decidir na mão de um homem. E ele não precisa ser necessariamente um mocinho: pode ser um bandido, pode ser um personagem complexo, pode ser quem for... mas é um típico “machão”. Então ele deixa a sua mocinha em um local seguro e diz para ela: “Não saia daqui!”. Ou então ele tem que resgatar a estúpida mocinha, que com certeza fez alguma bobagem... E a mocinha para que serve? Serve para dar emoção ao filme: tropeça no salto, grita enquanto o vilão se aproxima e denuncia o seu esconderijo, coisas desse tipo!
Gostaria que as mulheres fossem interpretadas de maneira pró-ativa e inteligente. Todavia, o mais importante para mim é que as mulheres possam, na vida real, desenvolver esse papel complexo. Mulheres, um apelo: da mesma forma que vocês aprenderam que o príncipe encantado não existe, não deixem de combater a “mocinha” que existe em vocês! Tenham atitude! Se você não puder encarar o inseto de perto... jogue um spray de veneno nele! Se você não puder abrir o pote de azeitona, esquente um pouco a tampa, aproximando-a da chama do fogão. Se você não alcançar a lâmpada, pegue uma escada! Não espere o machão chegar para resolver tudo para você! Não façam escândalo à toa! Usem a informação, a inteligência, a técnica, o jeito, para o que vocês não puderem resolver com a força bruta. Aliás, a vida tecnológica de hoje exige cada vez menos força mecânica.
Por fim, deixem para acreditar no mocinho e na mocinha quando for atuar no papel romântico da sua vida! Cultive o romance de vocês, respeitando as diferenças, sem, contudo, forçá-las. Não faça a ele exigência de perfeito cavalheiro, nem se torne a patética mocinha.

Autora: Érica Marina

18 de julho de 2011

Melindre: quem te quer?

Eu não gosto do melindre que há nas pessoas.
Quero poder dizer algo em que eu não tenha intenção de magoar sem ser surpreendida pela mágoa causada por coisa nenhuma. Mágoa essa que se decanta no fundo da consciência alheia e fica aguardando maiores mágoas para entupir o fluxo de trocas de uma relação.
Não quero ouvir informações pela metade para supor algo que por melindre não se diz. Quero escutar do começo ao fim sem necessidade de interrogatório. Parece que há uma necessidade da minha participação na conversa, da minha interpelação, para poder concluir o que se quer dizer. Como se o fato de eu perguntar pudesse amenizar a informação que me espera.
Gostaria de que as pessoas entendessem que subentender é muito mais ofensivo do que esclarecer. Mas que para dizer qualquer coisa, sempre há um modo. Por fim, que entendam que eu busco a melhor forma de dizer o que é difícil, sem que necessariamente eu me atine com ela.

Autora: Érica Marina



27 de junho de 2011

Espelho vazio


Agir estranho só existe para quem procura ser sempre o mesmo.
E a coerência é monótona, cansativa e antiartística.
Você não precisa representar seu próprio papel. Apenas seja.
Queira ser o que for para não ter que se prender a você.
Mudar de ideia é permitido sempre que com isenção de conveniência.


Autora: Érica Marina

8 de junho de 2011

O ciúme é puro cinismo


O ciúme, todo mundo sabe, é orgulho e baixa autoestima. O ciumento não tem suficiente segurança e se sente intimidado por qualquer possível ameaça – que deve vir de todos os lados, já que ele mesmo não confia muito em si próprio. O outro é sempre um potencial concorrente, parece sempre suficientemente atraente ou interessante para lhe roubar o lugar.
Mas o ciúme é cinismo também.
Se você tem um namorado ou uma namorada bonita, os outros também não podem achar? Ou você prefere namorar alguém que só você acha que tem boa aparência?
Você se incomoda quando seu companheiro apenas olha para uma pessoa atraente? Mas não foi você o primeiro a identificar esse charme ou essa beleza e por isso sentiu ciúmes? Por que você acha que quem convive com você teria uma percepção diferente da sua?
Se os dois são capazes de perceber que existem pessoas interessantes, inteligentes, bonitas e agradáveis, nisso não há problema algum; apenas significa que existe pré-estabelecido um padrão que separa em categorias os indivíduos. Isso é muito diferente de se sentir atraído por uma terceira pessoa, por exemplo.
E o engraçado é que a vida está cheia de exemplos de namorados e cônjuges que têm um ciúme extremado, imaginando ou culpando o outro por uma suposta traição que nunca existiu quando, na verdade, são eles que traem. O que seria o ciúme, nesse caso, a não ser a suposição e o medo de que o outro pode agir exatamente como você age?
Quando alguém se queixa de ser ciumento, a recomendação geral é trabalhar o próprio ego, tentar se gostar mais. Mas a sugestão deste texto é outra: antes de sentir ciúme, olhe-se no espelho dos seus próprios sentimentos.
O excesso de ciúme torna uma pessoa desagradável. E isto faz com que a complacência que o companheiro tem com outros defeitos dela, que é fruto natural de seu amor, acabe se dissolvendo em frente ao incômodo que o ciúme causa.

Autora: Érica Marina

26 de maio de 2011

Antes, olhe para si

Hipócritas, tirai primeiro a trave do vosso olho e depois, então, vede como podereis tirar o argueiro do olho do vosso irmão" (Jesus)

Os nossos olhos são voltados para fora e por isso estamos sempre a observar o que é externo. Mas a reflexão é interna, é neste ponto que deveríamos realmente nos reter. O tempo todo, durante a convivência, nós nos deparamos com atitudes, comportamentos e modos de ser que são diferentes dos que nós mesmos desenvolvemos. Mas sabem quais são os defeitos alheios que mais nos incomodam? São aqueles que temos.

Se reclamamos que o outro é teimoso, é porque insistimos em teimar com ele. Quando nos incomodamos com a arrogância de outra pessoa, é porque nos falta a humildade, pois se a tivéssemos, não nos incomodaríamos. Nos casos em que a impaciência alheia nos indigna, não estamos sabendo lidar pacientemente com a situação.
A vida é assim: estamos juntos desenvolvendo atividades de maneira socialmente organizada para podermos enxergar na ação dos outros o que nós mesmos deveríamos estar fazendo de melhor. E quando for para recriminar o próximo, que paremos, antes, para examinarmos a nós mesmos.

Autora: Érica Marina

15 de maio de 2011

A mágoa é vilã

As pessoas erram: existem maus dias, em que um descuido aconteceu, em que alguém perdeu a cabeça, em que um magoou o outro. Depois disso, qualquer um requer um tempo para amadurecer o perdão verdadeiro. Mas isso deve de fato acontecer, o que significa que o passado deve ficar no passado. A cada acontecimento desagradável, a cada desentendimento, a cada mágoa que possa ficar: resolva com o outro de uma vez por todas! Discuta o que tiver que discutir, esqueça (se for possível) e que a mágoa morra aí.

Certas pessoas dizem que perdoam, mas, no próximo desentendimento, desenterram todos os defuntos: relembram mais uma vez todas as vezes que o outro a magoou. Para seu bem, não seja assim! Isso causará ao longo do tempo um acúmulo de mágoas que será insuportável tanto para você quanto para a pessoa que convive com você.

Quando uma pessoa se coloca como vítima, enumerando as vezes que o outro a feriu, na verdade ela está sendo vilã, cobrando do outro algo irrecuperável, não permitindo que ele possa recomeçar, pois joga em cima de suas costas, mais uma vez, todo o peso do que já passou. O outro, que pode ter ofendido certas vezes sem querer, que pode ter errado sem ter como consertar, que pode ter magoado sem nem perceber – o outro fica sem possibilidade de ação, pois nada que ele faça irá diminuir o acúmulo de pontos negativos, que só tende a aumentar com o passar dos anos.

Que a pessoa rancorosa possa deixar de sê-lo, usando seus recursos de memória para alimentar o que é positivo: relembrando as coisas boas que o outro possa ter feito por ela. Que ela faça isso, mesmo que por puro egoísmo, uma vez que a mágoa destrói o sistema imunológico, causando-lhe problemas de saúde de toda espécie, além de fazer nascer e crescer uma infelicidade desnecessária.


Autora: Érica Marina

9 de maio de 2011

Qual o seu senso de justiça?


Vamos começar com um exemplo simples: o quão bem você fala das pessoas que estão a sua volta? Por um acaso você só fala do seu namorado, noiva, marido, filho, mãe... quando é para reclamar deles? Qual é a congruência entre o grau de reclamação em relação aos elogios e a real razão entre os defeitos e qualidades da outra pessoa? Será que a proporção de reclamação não é muito maior do que a proporção de defeitos e problemas? Então você não está sendo justo.

Você realmente se coloca no lugar do outro? Pois, para dizer que você sabe o que o outro está passando, você precisaria ser o outro: precisaria ter nascido no lugar dele e ter vivido a mesma experiência que ele já viveu, com a personalidade e o jeito de pensar dele. Ou seja: você nunca poderá se colocar exatamente no lugar de outra pessoa. Então, toda vez que você julga, você não está sendo justo.
E olhando para si próprio, quando você vai parar de representar? O mundo está cheio de pessoas cujo pior defeito é o perfeccionismo e que têm dificuldade de encontrar em si outras falhas. Vou ajudar esse pessoal a se localizar: falta de humildade, autocrítica distorcida, dissimulação dos próprios defeitos e talvez falta de memória. Mas o principal de todos deve ser a dificuldade de admitir erros pessoais. Assim, se você não consegue enumerar três defeitos seus, você não está sendo justo.

Se você quiser ser crítico, você é justo quando estiver olhando no espelho, no limite certo da sensatez e com uma visão não-distorcida do seu próprio eu. Se você quiser criticar o outro, não estará, com certeza, sendo justo. Você será justo se responder com o silêncio as ofensas e só dizer as verdades que não ofendem.

Se você for prometer, que você saiba que irá cumprir, seja como for. E se houver dúvidas quanto ao cumprimento, não prometa. Por outro lado, quando a razão for uma contingência imprevisível, você apenas é justo se conseguir absolver o não cumprimento de uma promessa.  Quer dizer, você é justo quando cobrar o que é devido e factível de ser cobrado. Por fim, se você prometer que, mesmo sendo sujeito a falhas, você fará o possível – então você só será justo se tentar o possível e o impossível.

A medida da justiça deve estar na coerência: espacial e temporal. Você é justo quando trata igualmente o que é igual e de maneira diferente o que se diferenciar. Você é justo quando seu jeito de pensar e medir as coisas muda em razão da sua vivência e do desenvolvimento de sua base de avaliação; mas nunca será justo quando sua análise se deixa mudar em função de conveniência ou de mudança de partido.  Também será injusto se seu jeito de pensar não se deixar mudar. Ou seja: você é justo se seu critério acompanhou adequadamente a evolução dos tempos.
Seja justo, então, na perseguição do que for justo.


Autora: Érica Marina

8 de maio de 2011

Mães


Um abraço a todas aquelas que dedicam a vida a seus filhos e só esperam em troca o amor e o reconhecimento.

5 de maio de 2011

Incompletude do meu eu



Às vezes sinto que não tenho tempo para ser inteiramente o que sou. Sou tantas em uma só que não sobra espaço para mais um pouquinho de mim!

Érica Marina

25 de abril de 2011

Deixa falar!

 
As pessoas, em geral, têm uma tendência a serem agressivas, pois elas são comumente criadas para serem combativas, competitivas, críticas. Não se ofenda com isso! Se você encara a situação da mesma forma, com agressividade, cria-se uma inimizade que não tem razão de ser – pois talvez seja só uma questão de costume com o modo de ser do outro. Contudo, se você for humilde, compreensivo e atencioso na resposta, dará uma chance ao bom entendimento.

Talvez você descubra que certa pessoa tem mesmo um jeito meio rude de ser, mas ela pode ser uma boa pessoa sem a fineza no trato social. Você agradecerá por não ter comprado uma briga à toa se for assim. Se, ao invés disso, a pessoa seja toda grosseira mesmo e você não se afinar com o jeito dela... você também agradecerá por não ter se envolvido nessa! Traduzindo: para que invocar com alguém?

Por outro lado, pode ser que a intenção da pessoa seja mesmo lhe ofender pessoalmente. Mas por que motivo você deveria dar esse gostinho a ela? Não se comova com tentativas de lhe atingir. Quando o que o outro disser for verdade, não adianta tentar se justificar. E mesmo que for mentira, ele não acreditará na sua argumentação ou não lhe dará ouvidos por que quer estar com razão. Assim, a melhor resposta a um insulto, é o silêncio. Parece difícil, mas é só questão de exercício. 

Toda vez que você responde ao que disseram ou insinuaram, isso significa que você absorveu, mesmo que discorde. Como dizem, “a carapuça serviu”. Relaxe! Ninguém tira a sua calma ou a sua paciência, é você que se permite perder a compostura. Construa a sua maneira de ser tolerante e paciente para não responder a ofensas, e você estará se constituindo um forte. Nenhuma resposta: nem expressão facial, nem resposta verbal, nem pensamento responsivo. Absolutamente nada. E você estará no controle da situação.

 A sua permanência no silêncio quando alguém lhe dirige uma ofensa (direta ou indireta) incomoda quem quer lhe incomodar. Talvez a pessoa insista em conseguir o que quer, mas seja firme: saiba que essa pessoa está absolutamente frustrada com sua falta de reação adversa. Não ceda. Abstraia seu pensamento, pense na insignificância do que está em discussão, na infantilidade de quem está lhe perturbando e, se possível, esteja apenas de corpo presente. A passividade tem uma força que as pessoas desconhecem. É mais difícil se controlar do que ceder ao impulso.


Autora: Érica Marina

24 de abril de 2011

Renovação interior na Páscoa

Feriados são sempre uma boa oportunidade de descanso e refazimento. Mesmo que o descanso for mental: um tempo para descansar a mente, mesmo cansando o corpo. Também são uma boa oportunidade de colocar alguma coisa em dia, fazer uma limpa nos armários e também no interior de si mesmo. A Páscoa, em especial, por simbolicamente representar um tempo de renovação, nos convida a repensarmos nossas atitudes mentais e físicas. Um bom feriado para renovar os pensamentos, repensar escolhas, jogar as tranqueiras que vamos juntando dentro do nosso próprio lar e dentro do nosso próprio espírito.
Como é agradável abrirmos as portas e gavetas de nossos armários e termos a disposição de abrirmos mão do que não nos serve mais. Para algumas pessoas isso pode ser muito difícil, já que é preciso ter desprendimento das coisas materiais. Mas o que não nos serve, não nos servirá. Repassemos adiante o que puder ser útil a outros e tornemos ao lixo o que for lixo. Deixemos assim a poeira assentar em outros cantos que não o nosso lar. Que possamos renovar as energias.
Aos Cristãos, a data é mais uma oportunidade de renovar a fé n’Aquele que nos inspira a seguir o caminho reto. Busquemos novamente a crença que nos pede para olhar o mundo com olhos de criança: sem medo de viver, confiante em que tudo dará certo. Que sejamos mais uma vez convencidos de que, fazendo nossa parte, conseguiremos um final feliz. Tenhamos mais uma vez a confiança de que o pouco que fizermos fará diferença para alguém.

Da mesma forma que estamos certos de um gesto de mal-humorado pode ser um pontapé para uma cadeia de mal humor, já que cada um tende a “descontar” no próximo e indelicadeza recebida, façamos também o contrário. Estejamos receptivos a repassar a gentileza e o bom grado com que nos tratam. Lembremos de cultivar, portanto, os bons sentimentos que queremos receber. Pois, na verdade, o que os outros provocam em nós são sentimentos que já temos interiormente.


Autora: Érica Marina

5 de abril de 2011

Sinceridade não é tudo

A verdade que fere é pior do que a mentira que consola.
(Carlos A Baccelli)




A sinceridade pode ser contrária à caridade, quando ela é usada para machucar o próximo. Essa virtude não é suficiente quando as palavras são rudes.

Além disso, ser sincero com os outros deveria ser acompanhado com a sinceridade da auto-avaliação. Mas não basta admitir seus próprios defeitos sem tentar mudar: essa sinceridade é inócua.

O mundo distorce essa virtude, ampliando-a. Sinceridade é pouco para quem deveria ser honesto.

Muitas vezes o mundo aproveitaria melhor o silêncio. E se alguém lhe perguntar se pode ser honesto, creia que você não quer essa honestidade forçada.




Autora: Érica Marina

22 de março de 2011

Tente se livrar

Tente se livrar do peso da vida e das obrigações impostas: muito disso não é necessário. Tente se livrar do que você acha que deveria fazer, ou pior, do que você pensa que os outros acham que você deveria fazer. Repense o tempo todo nas escolhas que você fez: sempre há tempo de recomeçar. Sinta-se vivo até o último dos seus dias. Esteja sempre pronto para jogar tudo para cima. Experimente. Exercite novas rotinas. Não se deixe acostumar. Não espere nada acontecer. Sempre deixe espaço para fazer o que gosta: trata-se de terapia gratuita e talvez seja oportunidade de negócio no futuro.

Não guarde coisas de que você não precisa: deixe os objetos e as energias circularem, pois o que não é útil para você pode ser útil para outro. E se for algo que deve ir ao lixo, você estará transformando o seu espaço em lixeira. Recicle seus sentimentos: transforme as emoções ruins em compreensão ou, no mínimo, indiferença. Alimente seus bons sentimentos, e isso lhe poupará gastos médicos.

Permita-se. Quantas pessoas não vivem sentimentos antagônicos à felicidade, sem coragem para efetivar uma mudança? Quantas amizades potencialmente profícuas já não foram desperdiçadas em nome dos interesses de uma amizade anterior? Quantas pessoas já não compartilharam a vida, sem compartilhar os sentimentos? Quantas vezes o medo não encobriu a perseverança? Quantas vezes o orgulho não falou mais alto que o amor?

Melhore-se. Quantas pessoas já não afagaram uma esperança de amor alheia apenas em benefício do seu próprio ego? Quantas vezes alguém tentou esquecer uma pessoa na ilusão de forjar um novo amor? Quantas vezes não houve quem denegrisse os outros para sua própria evidência? Quantos erros não foram encobertos sob a dissimulação? Quantas vezes não nos negamos a nós próprios?

Invista em si mesmo: se quem lhe tem hoje não o quiser mais, você ainda estará valorizado. Ame-se: se o amor com quem você escolheu não der certo, ainda haverá muito amor para dar. E acima de tudo, sinta-se livre. Quando você perceber que pode jogar para cima o que quiser, você terá um maior comprometimento com o que escolheu hoje, pois este será realmente o seu desejo. Viva a vida que você realmente quer. Só não se esqueça da responsabilidade que isso implica.

Autora: Érica Marina


Obs: Este texto é uma coletânea-resumo de outros textos relacionados deste mesmo blog (Muito Fosfato).

20 de março de 2011

Por que é isso que você quer?


Somos todos cheios de desejos e sonhos, e aparentemente é isso que nos move. É a concretização deles que nos realiza. Mas qual é a motivação dos desejos que temos? Estamos aqui a correr atrás de nossos sonhos ou do sonho dos outros? Não devemos desejar realizar algo na vida por que é assim que deveria ser. Não devemos imaginar o que os outros vão pensar sobre nossas escolhas. Não devemos querer algo só porque todo mundo quer. Nesse caso, estaríamos esvaziando o sentido da vida: o coletivo costuma ser ignorante. Devemos apenas escolher, decidir, sonhar, imaginar, buscar e construir de acordo com a nossa profunda vontade de viver e ser feliz.


Autora: Érica Marina

13 de março de 2011

Intuição é entendimento superior

No campo pessoal, cada um de nós deve ser racional, buscando em si princípios e coerência dentro do próprio modo de pensar e de se comportar, no intuito de alcançar um melhoramento íntimo. Mas, às vezes, o racionalismo exacerbado é um entrave à compreensão. Quando nos prendemos ao que a mente pode entender, perdemos muita coisa. É preciso também nos educar para uma compreensão superior.

Os porquês nos acrescentam muito e nos fazem crescer e evoluir para o homem racional. Mas a sabedoria não é intelectiva, é contemplativa. O extremo saber ultrapassa a barreira do entendimento e apenas admira os porquês, compreendendo que certas investigações são inúteis ou improdutivas. O entendimento superior aceita perguntas sem resposta.

Mas somos sempre questionadores. Como compreender e entender a existência de um sexto sentido? Não haverá como: é preciso acreditar, ter fé. A razão ainda questionará provas de que a intuição existe: procure por provas empíricas no seu próprio passado e as encontrará. Todavia, não queira testá-las: a intuição é mais fluida que qualquer gás que conhecemos.

Até mesmo a ciência, em especial a informática, tem descoberto mecanismos que a matemática e a física não sabem explicar: mas eles existem. Por que não acreditar nas evidências?


Cada um de nós tem um pouco dessa intuição dentro de si. E às vezes ela nos fala o que fazer ou não fazer. Entretanto, apegados ao raciocínio, que é uma prisão, não podemos compreender o que ela diz. Contudo, se pudermos segui-la, mesmo sem compreendê-la, em breve descobriremos o seu efeito, mesmo sem descobrir sua razão. Por que não há razão que explique a intuição.

Essa compreensão superior muitas vezes é representada simbolicamente pelo coração, para dizermos que ela não vem do cérebro, onde supostamente estão apenas sinapses racionalistas. E sentimos que o “coração” nos diz algo. Compreenda que o que ele diz é uma verdade e aceite-a. Quando não seguimos essa intuição, ficamos doentes, pois, às vezes, o corpo inteiro pode compreender o que insistimos em perguntar apenas para o lado racional do nosso cérebro. Não surpreende, portanto, que, com essa limitação imposta, utilizemos apenas dez por cento de nossa massa cerebral.


Autora: Érica Marina


8 de março de 2011

Dia internacional da mulher

A sociedade ao longo dos tempos desconfigurou o ser humano. Certas coisas deveriam ser de mulher, e outras deveriam ser de homem. E cada um dos gêneros ficou apenas com a metade do que é possível uma pessoa ser. As mulheres, que foram a parte mais reprimida, têm lutado para reconquistar o seu espaço. Mas os homens também têm se redescoberto, muitas vezes por ver que o papel antigo não lhe cabe mais.

6 de março de 2011

Dilemas e escolhas

Na vida se dá um passo de cada vez – nem sempre como quem segue em linha reta, mas como quem está a dançar. Às vezes nos atrapalhamos, às vezes tropeçamos, às vezes caímos. Mas cada um levanta e segue seu ritmo. Alguns dizem que a vida é feita de escolhas, embora isso seria essencialmente verdade se as decisões já viessem prontas. A vida, na verdade, é feita de dilemas. Escolha é o rumo que tomamos sem saber onde vamos parar.

22 de fevereiro de 2011

É o fim do cavalheirismo



Em um mundo onde a mulher compete pela igualdade, não há porque ela exigir um tratamento diferenciado. Isso seria um contrassenso. Assim, em virtude da equiparação entre os sexos, o cavalheirismo deve ceder lugar à gentileza.

15 de fevereiro de 2011

Pessoas-testemunho

Em cada aspecto difícil da nossa vida, existe uma pessoa que nos serve como um testemunho. Seja de fé, de honestidade, de esperança, de força de vontade, de amor, de amizade. Mas quando nós precisamos, tem uma pessoa lá, à nossa frente, querendo mostrar que nós podemos acreditar.

E é simplesmente isso que todos nós precisamos intimamente: queremos acreditar. No nosso âmago, precisamos mesmo é de ter fé: no amor, na vida, em que tudo dará certo, nas pessoas que nos cercam, no destino que temos, nas escolhas que fizemos. A maioria das pessoas do mundo deposita essa fé em um Deus, que lhe dá mais força. Mas até quem insiste em negá-Lo precisa acreditar em alguma coisa. Senão a vida fica vazia e sem sentido!

Entretanto, certas vezes, mesmo tentando manter a fé, podemos deixar de acreditar no próximo ou deixamos de acreditar que o nosso rumo é o correto. Parece tão mais fácil seguir o caminho torto... É nesse momento que precisamos de uma pessoa-testemunho. Ela surgirá, mesmo que não seja identificada como tal.

Em um trabalho ruim, um colega lhe salva o dia. Quando você quase desiste da vida, alguém com mais dificuldade lhe mostra o que é persistência. Se você desacreditar das pessoas, aparece alguém de valor que lhe mostra que os bons princípios se encontram nas mãos corretas. Se você não aposta mais no amor, alguém lhe rouba o coração para lhe ensinar a amar.

Porque o fato é que, por mais que o mundo esteja repleto de desesperanças, há sempre alguém como você lá fora. Nem sempre no amor, porque nem sempre é a hora, mas alguém que irá lhe completar no companheirismo, na amizade, no conhecimento, na situação de vida. E cada uma dessas pessoas lhe ajudará a construir quem você é. Como você deve estar sempre buscando o melhor material para se construir, procure, modificando o seu próprio jeito de ser, as pessoas que atrairá para construir uma ilha de virtudes no mar revolto da vida.

Autora: Érica Marina

9 de fevereiro de 2011

Necessidade insolúvel de definição


Se eu estiver parada, preciso de uma posição; se estiver caminhando, preciso de um norte; se estiver em dúvida, preciso de uma decisão; se não precisar me definir, já morri. Até para andar sem rumo é preciso que eu decida assim.


Autora: Érica Marina

O que você faz quando se ofende?


Antes de se ofender, é preciso considerar que as pessoas, em geral, têm uma tendência comum de serem agressivas. Não necessariamente no mau sentido, mas elas são comumente criadas para serem combativas, competitivas, críticas. Se, diante disso, você encara a situação da mesma forma, com agressividade, cria-se uma inimizade que não tem razão de ser – pois talvez seja só uma questão de costume com o modo de ser do outro. Contudo, se você for humilde, compreensivo e atencioso na resposta, dará uma chance ao bom entendimento.

Também pode acontecer, por outro lado, que a intenção da pessoa seja mesmo lhe ofender. Mas por que motivo você deveria dar esse gostinho a ela? Não se comova com tentativas de lhe atingir. Se o que o outro disser for verdade, não adianta tentar se justificar. E mesmo que for mentira, ele não acreditará na sua argumentação ou não lhe dará ouvidos por que quer estar com razão. Assim, a melhor resposta a um insulto, é o silêncio. Parece difícil, mas é só questão de exercício. A mensagem abaixo, (da qual infelizmente desconheço a autoria) mostra que, quando o insulto é gratuito, se não o recebemos, ele fica com o portador.

6 de fevereiro de 2011

O foco é a superação

“É sempre a mente que falha primeiro, não o corpo. O segredo é fazer sua
mente trabalhar para você, não contra você.” (Arnold Schwarzenegger)


Toda vez que temos um vício ou um defeito arraigado no nosso modo de ser, é fundamental que compreendamos de onde ele vem. Fazer essa análise é de vital importância, pois seria mais difícil lidar com um mal cuja origem é desconhecida. Mas uma vez descoberta a fonte, ela deve ser estancada. Esse primeiro passo de autoanálise para avaliação dos próprios pontos fracos deve ser seguido por um direcionamento rumo à melhora pessoal.

26 de janeiro de 2011

O amor não apaga o brilho feminino



Há algum tempo, eu li um conto que deve ter sido escrito na época do Romantismo literário. Se eu soubesse que o texto marcaria minha forma de enxergar meus relacionamentos pessoais, eu teria tomado nota do autor ou do título. Entretanto, apesar de não ter conseguido mais encontrar a obra novamente, tenho o enredo ainda na memória. A moça chamava muita atenção quando saía de casa com ele. Incomodado pelos ciúmes, ele lhe mandou descer a barra do vestido na costureira. Mas um ou outro transeunte continuava a olhar para ela, e a barra do vestido foi descida ainda mais. Vendo que o seu intuito não funcionava de todo, cortou-lhe os enfeites. E ela já não se enfeitava mais. Depois de um tempo, vendo o brilho da moça apagado pela falta de vaidade, deu-lhe um broche. E este broche ficou esquecido na gaveta.

20 de janeiro de 2011

No trabalho, é você quem passa

Na prática, sabe-se que uma empresa pode fechar por diversos motivos em pouco tempo: muitas têm uma curta existência. Mas todas as empresas devem ser constituídas para sobreviverem eternamente, pelo menos na teoria. Contabilmente, a empresa é avaliada como um fluxo de caixa infinito e isso faz todo o sentido. Mesmo intuitivamente, o negócio de uma empresa deve ser tocado como se ela não tivesse dia para terminar: existe uma necessária continuidade no trâmite com fornecedores, clientes, empresas filiais, matriz, entre outros.

Por outro lado, você é uma pessoa que apenas passa por essa empresa, mesmo que você trabalhe nela toda a sua vida. Isso ajuda a ajustar sua postura na realização das suas atividades dentro do seu ambiente de trabalho. Em primeiro lugar, nada do que você usa dentro da empresa é seu, a não ser que você tenha trazido de casa. O computador não é seu, a caneta não é sua, a cadeira não lhe pertence, a impressora também não. É importante tratar os pertences da empresa como sendo dela, tendo o cuidado que você deve ter com coisas que não são suas. Além disso, é preciso tomar a consciência de que os objetos de seu uso são apenas empréstimos, sendo o emprestador comum a todos os funcionários. Esse desprendimento é fundamental para evitar grande parte dos desentendimentos inúteis e improdutivos entre colaboradores.

18 de janeiro de 2011

Esteja sempre pronto!


Esteja sempre pronto para jogar tudo para cima.

Experimente.

Exercite novas rotinas. Não se deixe acostumar.

Não espere nada acontecer.

Repense o tempo todo nas escolhas que você fez: sempre há tempo de recomeçar. Sinta-se vivo até o último dos seus dias.

Sempre deixe espaço para fazer o que gosta: trata-se de terapia gratuita e talvez seja oportunidade de negócio no futuro.

Procure emprego sempre, mesmo empregado: caso contrário, não há como saber se existe oportunidade melhor lá fora.

Não guarde coisas de que você não precisa: deixe os objetos e as energias circularem, pois o que não é útil para você pode ser útil para outro. E se for algo que deve ir ao lixo, você estará transformando o seu espaço em lixeira.

Recicle seus sentimentos: transforme as emoções ruins em compreensão ou, no mínimo, indiferença. Alimente seus bons sentimentos, e isso lhe poupará gastos médicos.

Invista em si próprio: se quem lhe tem hoje não o quiser mais, você ainda estará valorizado.

Ame-se: se o amor com quem você escolheu não der certo, ainda haverá muito amor para dar.


Quando você perceber que pode jogar para cima o que quiser, você terá um maior comprometimento com o que escolheu hoje, pois este será realmente o seu desejo. Viva a vida que você realmente quer. Só não se esqueça da responsabilidade que isso implica.


Autora: Érica Marina

15 de janeiro de 2011

Amor inteligente




O ser humano é comumente diferenciado dos outros animais pelo desenvolvimento intelectivo, algumas vezes associado a uma alta capacidade de cognição, outras vezes atribuído à sua habilidade social. Entretanto, as pesquisas científicas mostram que o conceito de racionalidade criado para separar o homem das outras espécies de animais é absolutamente antropocêntrico. Se outros animais não conseguem alcançar certas habilidades do homem, também acontece o inverso.

Talvez a mais notável habilidade que diferencia o ser humano é a capacidade de amar. O amor vai muito além do instinto maternal ou sexual. É o mais refinado dos sentimentos, sendo constituído por uma mistura complexa da paixão romântica, da paixão sexual, da intimidade e do compromisso. O amor é mais do que isso: é o alimento da alma. A falta dele torna um coração ressequido, enquanto a sua presença parece trazer mais vida a quem vive.

12 de janeiro de 2011

Liberdade de criança

Quando somos crianças, temos sempre um adulto para fiscalizar nossas ações. Mas além desses limites que os adultos impõem, não temos outros: podemos fazer o que quiser. A criança senta no chão a qualquer hora, a menina levanta o vestido, o menino põe fogo na cortina. Isso só começa a ser diferente quando os responsáveis conseguem o mínimo de autoridade e a partir dela estabelecem regras e limites.

4 de janeiro de 2011

Transformação contínua




A cada dia que a vida acontece, eu tento transformá-la em uma lição, convertendo meu aprendizado em mudança. E pretendo fazê-lo para o resto da vida. Por isso, ao longo desses anos, eu:

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