9 de maio de 2011

Qual o seu senso de justiça?


Vamos começar com um exemplo simples: o quão bem você fala das pessoas que estão a sua volta? Por um acaso você só fala do seu namorado, noiva, marido, filho, mãe... quando é para reclamar deles? Qual é a congruência entre o grau de reclamação em relação aos elogios e a real razão entre os defeitos e qualidades da outra pessoa? Será que a proporção de reclamação não é muito maior do que a proporção de defeitos e problemas? Então você não está sendo justo.

Você realmente se coloca no lugar do outro? Pois, para dizer que você sabe o que o outro está passando, você precisaria ser o outro: precisaria ter nascido no lugar dele e ter vivido a mesma experiência que ele já viveu, com a personalidade e o jeito de pensar dele. Ou seja: você nunca poderá se colocar exatamente no lugar de outra pessoa. Então, toda vez que você julga, você não está sendo justo.
E olhando para si próprio, quando você vai parar de representar? O mundo está cheio de pessoas cujo pior defeito é o perfeccionismo e que têm dificuldade de encontrar em si outras falhas. Vou ajudar esse pessoal a se localizar: falta de humildade, autocrítica distorcida, dissimulação dos próprios defeitos e talvez falta de memória. Mas o principal de todos deve ser a dificuldade de admitir erros pessoais. Assim, se você não consegue enumerar três defeitos seus, você não está sendo justo.

Se você quiser ser crítico, você é justo quando estiver olhando no espelho, no limite certo da sensatez e com uma visão não-distorcida do seu próprio eu. Se você quiser criticar o outro, não estará, com certeza, sendo justo. Você será justo se responder com o silêncio as ofensas e só dizer as verdades que não ofendem.

Se você for prometer, que você saiba que irá cumprir, seja como for. E se houver dúvidas quanto ao cumprimento, não prometa. Por outro lado, quando a razão for uma contingência imprevisível, você apenas é justo se conseguir absolver o não cumprimento de uma promessa.  Quer dizer, você é justo quando cobrar o que é devido e factível de ser cobrado. Por fim, se você prometer que, mesmo sendo sujeito a falhas, você fará o possível – então você só será justo se tentar o possível e o impossível.

A medida da justiça deve estar na coerência: espacial e temporal. Você é justo quando trata igualmente o que é igual e de maneira diferente o que se diferenciar. Você é justo quando seu jeito de pensar e medir as coisas muda em razão da sua vivência e do desenvolvimento de sua base de avaliação; mas nunca será justo quando sua análise se deixa mudar em função de conveniência ou de mudança de partido.  Também será injusto se seu jeito de pensar não se deixar mudar. Ou seja: você é justo se seu critério acompanhou adequadamente a evolução dos tempos.
Seja justo, então, na perseguição do que for justo.


Autora: Érica Marina

Um comentário:

  1. Sim, com simples lógica vc acaba de destruir os movimentos feministas, racistas, gays e varios "sociais".

    Não existe igual ou justo, quando a pessoa que irá julgar não o é.

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