20 de setembro de 2011

Adaptação humana


O ser humano parece ser absolutamente maleável. Mas acostumar-se é uma questão de conformidade. Por isso que a aceitação de novos cenários varia de pessoa para pessoa, pois segue o ritmo ditado pelo seu intelecto, pelos seus preconceitos, pela perspectiva de mudança e pela vontade de mudar.
Logicamente a adaptação para uma situação melhor é quase automática e, por mais que seja traumática[1], não haverá resistência. Com relação à adaptação a uma situação pior, pode-se estabelecer os chamados cinco estágios do sofrimento[2]:

1. Negação e isolamento: em primeiro lugar, é difícil acreditar que algo tão ruim aconteceu ou está acontecendo.
2. Cólera (raiva): depois, quando a pessoa se dá conta do que aconteceu, ela sente raiva.
3. Negociação (barganha): promete-se algo ou tenta-se alguma coisa na esperança de uma bênção que mude a situação atual.
4. Depressão: fase intensa do sofrimento.
5. Aceitação: é a fase final, à qual nem todos conseguem chegar.

Em primeiro lugar, a aceitação só é possível se não há nada que impeça o fluxo normal de desenvolvimento da mesma, como, por exemplo, um preconceito arraigado. Em segundo lugar, a adaptação a uma nova situação é sempre mais fácil quando não há perspectiva de mudança. Entretanto, mesmo sem perspectiva, pode haver renitência e isso é uma questão de personalidade.

Por fim, acima da necessária capacidade de adaptação, é preciso desenvolvermos o conceito crítico que nos permita avaliar o que realmente devemos aceitar. Um caminho é verificar se a possibilidade de reversão de uma situação difícil é factível e, caso seja, se o esforço vale a pena. Também é necessário lembrar que muito do que se aceita com sofrimento é para evitar outro sofrimento que é processo de mudança para melhor.

De qualquer maneira, ser flexível e aceitar a mudança é uma forma de minimizar o sofrimento – seja para aceitar a transformação irreversível ou para preparar um redirecionamento agora regido pela vontade pessoal.


Autora: Érica Marina





[1] Mudanças drásticas positivas também podem traumatizar.
[2] Esse é um modelo consagrado estabelecido por Elisabeth Kübler-Ross utilizado para explicar o comportamento diante da morte iminente (pacientes terminais), do luto e de tragédias pessoais.

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