31 de outubro de 2011

Simbolismo exagerado e descaracterização

Quando eu uso a palavra “amor”, dificilmente eu conseguirei chegar mais próximo do sentimento que eu quero expressar. Claro que existem sentimentos que eu sinto que ainda não têm nome ou, se o nome existe, eu não conheço. Contudo, eu poderia criar um nome específico para aquele sentimento. E nesse sentido a palavra em si é o símbolo mais próximo de qualquer objeto concreto ou abstrato a ser definido.



Na hora que eu represento o amor com gestos, com um desenho (que já se convencionou o coração), com outra representação qualquer, eu tenho um desgaste ainda maior do que quando eu uso a palavra amor repetidamente. Se em cada página do meu caderno houver um coração, ele já será abstraído da minha percepção, e passará a ser apenas decoração.

Eu não faço tipo, não penso assim porque eu quero, porque eu construí uma ideologia em cima disso. Meu cérebro simplesmente funciona assim. E eu tenho a percepção de que deve ser assim com todo mundo. Então quando o Natal vira enfeites dourados, papais-noéis, árvores de natal, luzes sem fim... eu olho para tudo isso e perco Jesus. Não é para protestar que eu escrevo isso. Eu me sinto assim.

Autora: Érica Marina

21 de outubro de 2011

A arte de doar


Se você é possessivo, pense bem antes de dar alguma coisa para alguém.  Isso é uma ação unilateral de alienação sem contrapartida: o objeto deixa de ser seu por sua livre e espontânea vontade e passa a ser do outro. Ponto final.

Ou seja, a doação não requer como contrapartida que o outro aprecie, que dê valor, que cuide bem do objeto recebido ou o que for. O receptor não tem que agir como você pretende que ele deveria só porque você cedeu algo. Não se trata uma troca de favores a não ser que fique estabelecida esta condição explícita.

Além disso, você deixa de ter controle sobre o objeto. Você perde os direitos de acompanhar, de cobrar, de ter de volta, de tirar um pedaço. Aquilo deixa de ser seu por sua própria decisão – e não há segunda decisão sua, a não ser que por benevolência do destinatário.

Se for para mudar de mãos em caráter de doação, é para esquecer que um dia foi seu. Isto, sim, é doação. O resto é empréstimo com juros.

Autora: Érica Marina

4 de outubro de 2011

Relacionamentos insolúveis

“Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar”
(Renato Russo)




A vida está cheia de pessoas que nos machucam pelo jeito que são e pelo jeito com que lidam conosco. Não existe forma de tratar o relacionamento com elas. O desequilíbrio partirá sempre do mesmo lado e acabará atingindo o outro. Ter a consciência da não-solução do conflito é importante para que você não se desgaste à toa.

A medida mais eficaz é calcular a distância segura e saudável entre esses dois lados. Para as pessoas com quem você não tem necessidade nenhuma de continuar aceitando, talvez um “nunca mais”. Para aqueles com quem você terá que conviver necessariamente, que você conquiste, pelo menos, o seu canto de paz inviolável. E não tente mudar ninguém: apenas se preocupe com sua própria saúde, antes que você perceba que ela se foi.

Autora: Érica Marina
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Ocorreu um erro neste gadget