9 de fevereiro de 2012

Para que serve um Déjà vu


Pensando racionamente, eu não acreditaria em um déjà vu e este texto não é para convencer ninguém de que seja possível acontecer um. Entretanto, diversas vezes já tive esta sensação estranha de que eu estou em um filme conhecido e nada me resta além de acreditar. Ainda sim, eu mesma fico questionando a veracidade da minha sensação.

Não precisaria de nada para eu me convencer de que isto é uma ilusão do cérebro, mas eu me deparo, durante o déjà vu, com a realização das minhas premonições. Aí fica difícil duvidar, porque não há como montar argumentação lógica que justifique sucessivas “coincidências”. Aliás, é pelo fato de eu não acreditar em coincidência, que eu não consigo negar o déjà vu.

E dessa argumentação filosófica que eu fico fazendo comigo mesma para tentar provar o que não é possível, que eu simplesmente aceito o fenômeno como um fato e me pergunto o porquê de sua existência. Para que serve um déjà vu? Se é possível prever antecipadamente o que vai acontecer em um determinado momento, o que estamos a fazer? Estamos aqui como marionetes, acreditando no livre-arbítrio, mas escolhendo decisões já traçadas? O que é o destino? A vida é assim tão fatídica?

O que eu estou fazendo a cada passo meu, se já “estava escrito”, não serve de nada para mim. Significa que eu não estou exercitando minha vontade, não estou aprendendo nada, não é minha culpa meus erros, nem meu mérito os acertos. Isso não faz nenhum sentido. Então como acreditar?

Teve um dia, contudo, que, de repente, eu senti de novo essa sensação de alerta. E me vi caminhar pela primeira vez, mas como se fosse a segunda, para uma situação sem saída: eu sabia como iria reagir a uma determinada situação e sabia que o desdobramento seria desastroso. Como eu sabia? Eu sabia. Aliás, eu nunca vou saber. Diversas vezes até aquele momento, eu me vi em situações de déjà vu como um ratinho na roda. E o fim era sempre o que eu tinha previsto. Mas desta vez foi diferente.

Tomei coragem e não fiz nada de extraordinário, mas também não fiz como meu impulso e minha personalidade ditariam. Segui meus instintos de preservação, fiz diferente e tudo deu certo. Desta experiência, tirei duas conclusões simples, nada brilhantes eu sei. Devia ser um conhecimento subconsciente meu, mas eu trouxe à tona. A primeira é que o déjà vu, seja o que for, venha de onde vier, tem uma função: o alerta. É só isso. Não é o rumo que as coisas devem tomar, mas o que elas podem tomar condicionalmente. A segunda conclusão, é que nós somos muito mais condicionados pelos nossos impulsos e pela nossa personalidade do que por qualquer outro fator determinista. A vida é ação e reação. Ainda bem!

 
 
Autora: Érica Marina
 
Obras: Salvador Dali

3 comentários:

  1. deja vu não é premonição!

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    1. Concordo. Eu não disse isso.

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    2. Sempre que tenho um deja vu é de um local, não é igual ao seu sempre procuro um alerta e n encontro nada que precise de preocupação o meu parece um alerta para mim aproveitar o momento! Eu n sei exatamente o que é mas acredito que é um anjo de luz( espirito de luz) me ajudando a desenvolver um "dom" que possa ajudar as outras pessoas e/ou até eu !msm

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