31 de março de 2013

Idealismo, semente em extinção

"Se quiser que os seus filhos sejam brilhantes, leia contos de fadas para eles." (Albert Einstein)


Já faz um tempo que a sociedade reprime o idealismo e o romantismo. Alguns acreditam ser falta de desenvolvimento intelectual ou inteligência. Outros pensam ser falta de experiência ou de observação. Mas poderiam todos ter mais fé na vida, no destino e nos finais felizes. Por que não?

Os conservadores têm de ser mesmo pouco criativos, já perspectiva de mundo para eles é como o mundo está. Por outro lado, os jovens podem cair no conformismo depois de alguns anos, mas seu período de criatividade e capacidade de fazer um mundo diferente terá chegado ao fim. A história é escrita, às vezes pelo suor, às vezes pelo sangue, mas sempre antes da aposentadoria. Pois é por isso que salvaria o mundo uma nova geração idealista. É fato que organizações extremamente perigosas já levaram a humanidade a beira de abismos. Mas poderia ser que organizações bem intencionadas elevasse de patamar o que chamamos de humanidade.

E se as pessoas buscassem preencher a vida com amor em vez de distrações? Se começassem a acreditar que o egoísmo delas não as leva ao que é mais importante? E se as pessoas seguissem o conselho de  Gandhi e se esforçassem para ser a mudança que elas querem ver no planeta? E se os pais de hoje criassem os filhos para o mundo em que eles gostariam de viver em vez de criar para o mundo do qual eles lamentam participar?

Como seria se toda uma geração pensasse diferente e tivesse a visão alargada pela criatividade direcionada a um mundo melhor? Se todos pudessem ser gentis? E se a maioria respeitasse as diferenças? E se a educação fosse voltada à inserção social mais do que à competitividade? E se as empresas estivessem mais preocupadas com seus clientes e com seus trabalhadores do que na competitividade com as outras?

Se cada um buscasse entender melhor a si mesmo e aos outros? Se todo mundo compreendesse a grosseria e retribuísse com gentileza? Se as religiões fossem menos sectárias e mais dispostas a receber sem nada em troca? Como seria se existissem lugares que acolhessem as pessoas para falar de Deus sem assaltar carteiras? E se as pessoas pudessem confiar umas nas outras? Se a palavra de alguém fosse mais do que suficiente para a confiança de outrém?

Como seria se cada um pensasse na coletividade antes que em si mesmo... pelo menos algumas vezes? E se, com esse ímpeto de ajudar, algumas se doassem à política? E se a população enxergasse os mal intencionados e nunca mais o colocasse no poder? E se a diplomacia fosse uma conversa olho no olho entre pessoas honestas, sem salamaleques e sinucas de bico? E se o mundo percebesse que não há motivo para guerras?

O que falta para um mundo melhor é o idealismo de maneira maciça. Vamos mostrar aos pequenos o planeta como ele é para poder apontar onde ele deveria mudar, não para que se amoldem a ele. Que nossos filhos, sobrinhos, irmãos, possam ser moralmente melhores. Que possamos desenvolver neles a sensibilidade, a criatividade, a consciência social e altruísta. Que eles não se desvirtuem porque o mundo está desvirtuado. Que esse mundo triste seja apenas passageiro.
Autora: Érica Marina

7 de março de 2013

Em relação à Humanidade


Enquanto eu me contorço no assento sob pretexto de ajeitar a coluna, minha mente passeia por assuntos bastantes entre o toque de duas teclas. Não acharei posição física para aninhar melhor meu desconforto. Estou seguindo dia a dia uma disciplina para adequar meus desajustes ao mundo - tenho que aceitar como ele é? Acho então que deverei buscar uma referência imaginária, idealista ou espiritual, pois este planeta não tem sido muito inspirador.

Em um sábado qualquer, sou admirada ao pedir ao caixa do restaurante que inclua algo que realmente comi e estava ausente da minha conta. Até parece que eu fiz algo além da obrigação. Sigo em frente no meu aprendizado para entender que a ética do não-roubar é mais ampla e se aplica até ao precioso tempo das outras pessoas. Mas depois ouço histórias de indivíduos comuns e totalmente sem necessidades financeiras que roubam o celular cobiçado de colegas de convívio na primeira oportunidade que tiverem. "A ocasião faz o ladrão", que brilhante filosofia!

Aceito o convite de um amigo à sua igreja, mesmo já tendo minha fé convicta e me deixo notar que Deus tem muitos caminhos. Abro mão do meu preconceito para caminhar duas léguas junto ao próximo. Penso então no mundo das guerras santas e já me sinto  envergonhada e diminuída em minha humanidade. O que eu posso fazer pelo Oriente Médio? Porém aí eu percebo que toda a sociedade que me envolve é também extremamente preconceituosa em matéria de religião. Pessoas afrontam as outras religiões (ou qualquer religião) ou descaradamente enaltecem a sua própria em detrimento das outras.

Quando penso que o nível do inaceitável já foi alcançado, parece que sempre haverá um degrau mais abaixo. Costumo acreditar que há uma linha tênue que separa o ético do não ético e que, depois que se a cruza, o ser humano perde totalmente a referência e por isso não haverá mais limites para sua consciência.

Com certeza, vivemos a institucionalização da falta de ética e da hipocrisia. E com isso o politicamente correto  cai como totalmente fora de moda. Aliás, "politicamente correto" talvez não seria o termo que eu queira usar. Minha cidade, meu país, meu mundo têm vivido uma época em que a política é apenas uma realização profissional de uma carreira individual de alguém que só pensa em si e nos seus.

Logo a seguir, uma magnata lançará um livro com o pretexto de ensinar as mulheres a serem mais agressivas e saberem se impor para alcançar o sucesso, pretensiosamente querendo lançar um novo Feminismo. Eu, que muitas vezes fui taxada feminista, quero a materialização de um biombo imediato entre mim e tudo isso. Tenho pavor mortal ao machismo, sim. Como também a este feminismo. E desde quando o ideal de sucesso é agressividade? Esse livro eu não lerei para criticar com mais propriedade. Fica a minha crítica à ideia e minha não compactuação com a sua venda.

E eu buscando o aprimoramento pessoal, que coisa mais demodê! Minhas letras recortadas aqui não conseguem apreender agora como é grande minha vergonha alheia em termos amplos. Eu sou feita da mesma composição de materiais físicos, etéreos e psíquicos do restante da Humanidade.  Como posso me encarar neste espelho?

Já era uma entusiasta de Nelson Mandela e sua biografia. Líder intelectual tão comedido e justo, tão íntegro e consciente, mesmo após 27 anos de encarceramento. Ampliei recentemente meu conhecimento sobre a história da África do Sul no desmantelamento do apartheid e de repente eu gostaria que todos conhecessem a mesma história.  Esse mundo é uma coleção de apartheids, não só racial.

Gostaria que as pessoas pudessem também aprender com Mandela, que a vitória do reprimido não lhe dá direito a uma ditadura diferente. E que as pessoas entendessem o que passa na cabeça do inimigo para tentar um acordo de paz. Mesmo em situações tão sufocantes, violentas, desesperadoras e de longos anos de duração. E que todos fossem mais a fundo para perceber que mesmo com um líder tão extraordinário, não basta só a ação de um único ser humano.

Tenho o desespero de desejar muito mais humanidade à Humanidade, mas sou apenas um pequeno ponto em movimento com mais uma opinião.

Autora: Érica Marina
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