25 de setembro de 2013

Tempo para meditar


Quando eu era criança, eu tinha um mundo à parte e era capaz de passar um dia inteiro sozinha com minha própria imaginação. Certas vezes, porém, eu apenas contemplava. Ficava olhando a paisagem, pessoas passando... É interessante olhar pessoas sem julgar, com olhos de criança. Mas essas capacidades, eu perdi. Conforme crescemos, aprendemos com todos os outros que não fazer nada é tedioso. Nos ensinam a até que é pernicioso! "Cabeça vazia é oficina...", será que está mesmo vazia ou cheia de porcaria?

Eu posso inferir que nós desaprendemos a meditar. E isso é ainda pior quando passamos por uma geração que esquenta a comida no micro-ondas em 30 segundos e está conectado à internet o tempo todo. A noção de tempo se acelera e não nos permitimos nos desligar em nenhum momento. Ficamos impacientes por motivo de qualquer tempo de espera e andamos apressados sem nem sempre ter necessidade.

Há alguns anos atrás, posso lembrar bem, quando ligávamos para a casa ou trabalho de uma pessoa e ela não atendida, pensávamos que ela poderia ter saído ou poderia estar ocupada. Depois, o celular surgiu como fator de controle e estresse, mesmo na época em que só fazia chamadas. "Liguei até no celular e ele não atendeu! Será que aconteceu alguma coisa!?!" Hoje, estamos dependentes da extrema conectividade com o outro e da comunicação instantânea. Perturbamos ao outro a qualquer momento e não entendemos que ele poderia estar ocupado. Estamos sujeitos a uma avalanche de inconveniências a qualquer horário. Se meu celular com wi-fi está ligado na minha casa onde a rede é sem fio e fica ligado à noite pra servir também de despertador, posso receber e-mails spams às  1:30h da madrugada.

Não vou jogar meu celular fora, pois ele é um avanço tecnológico muito útil por ser várias ferramentas em um só aparelho. Mas comprei um despertador à moda antiga. Na hora do meu sono, desculpa, eu estou ocupada! Tenho procurado desacelerar e meditar como quando eu era criança. A minha noção de tempo não precisa ser a do relógio – que aliás não uso no pulso para não me escravizar a olhar o mostrador a todo instante.


Em vez de perder tempo esperando em filas, consultórios médicos etc., tenho procurado ganhar tempo com uma leitura edificante. Estou assim, dois passos para a  frente, um para trás, aprendendo a não sofrer com o que foge ao meu controle e entender que quem pode atrasar minha vida sou eu mesma... Tenho tentado desconstruir a minha aptidão a pensar demais e gastar "muito fosfato" à toa. Devo deixar isso para momentos e assuntos realmente importantes. É só me preparar  para isso. Como diz Alberto Caeiro, "há metafísica bastante em não pensar em nada". Quem sabe um dia eu chego lá! Não que eu abra mão de tudo o que aprendi, mas tenho que me permitir o desapego de todas as minhas convicções para aprender um pouco mais.

Autora: Érica Marina

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