12 de novembro de 2014

Pessoas insubstituíveis



Existe um mito de que não há alguém insubstituível. Talvez isso até faça sentido para algumas pessoas, ou para a maioria das pessoas... Eu não teria como avaliar a generalidade dessa afirmação!

Mas uma coisa eu sei: tem gente que quando se vai, leva muito embora! Pessoas que fazem a diferença e depois fazem falta!

Autora: Érica Marina

30 de julho de 2014

Dos limites da classificação


Penso muitas vezes como é limitado e limitador todo o nosso processo (humano) de aprendizado e repertório cultural, pelo simples fato de que estão alicerçados em critérios de classificação. Simples, porque classificar é justapor elementos diferentes com base em certos critérios subjetivos e cegar-nos para todas as outras características que compõem os objetos em análise.

Quando eu classifico, eu uso um critério subjetivo criado por mim ou por mim apropriado - mas com certeza inventado - e que, no cerne, não faz sentido por si só. Então, tudo o que temos como repertório depende de um ponto de vista tomado a partir de uma norma qualquer, por sua vez baseada em um paradigma instável e certamente falso.

Como podemos perceber o mundo no todo ou em cada um dos seus componentes usando os sentidos ou qualquer tipo de percepção de forma desprovida de preconceitos? O que eu chamo de verde é o mesmo que outra pessoa vê? Porque o mesmo turquesa pode ser azul para uns e verde para outros? As percepções existem em si ou dependem do receptor? Qual a verdadeira realidade?

E, seguindo mais adiante, como posso vivenciar o que quer que seja sem usar uma classificação? Que isenção podemos ter em qualquer análise? De repente, até o objetivo passa a ser subjetivo. Com a álgebra especificada a meu bem entender, dois mais dois pode me dar qualquer resultado.

Mais profundas que os problemas de linguagem, ou as falhas em comunicação baseadas em significações distintas indivíduo a indivíduo, estão as questões fundamentais do que seria a verdade despida de qualquer rótulo.

Autora: Érica Marina

1 de julho de 2014

Perfeccionistas, os incompreendidos



Sabemos que por ignorância muitas palavras acabam perdendo o sentido primeiro. Por isso, "perfeccionista" é o termo normalmente usado hoje em dia por narcisistas para se autointitularem. Como se perfeccionista fosse alguém insuperável que fizesse tudo de forma perfeita por destino.

Não, o perfeccionista no sentido primeiro da palavra, é aquele que busca insistentemente a perfeição. A Wikipedia define bem: "O perfeccionismo é um distúrbio neurótico no qual a pessoa sente constante insatisfação com seu desempenho e dúvidas sobre a qualidade de seu trabalho, levando o indivíduo a escrupulosidade, verificações de pormenores, obstinação, prudência e rigidez excessivas prejudicando a sua pontualidade e eficiência."

Eu me sinto perfeccionista no sentido oposto à displicência. Enquanto o displicente acha que tudo está correndo bem e então pode acabar cometendo um erro, eu fico sempre achando erro e duvidando da minha capacidade e, por acaso, posso acabar fazendo algo muito bem feito. Assim, o perfeccionista não é um arrogante, pode até ser alguém com baixa estima e auto-confiança, debatendo-se, indefinidamente, contra si mesmo nos mínimos detalhes.


Perfeccionismo é um distúrbio, uma sina, uma insatisfação constante. Uma incapacidade de perceber que não dá para abraçar o mundo e fazer tudo perfeitamente e talvez morrer tentando. Não é uma qualidade para se gabar, nem um subterfúgio para fugir de descrever defeitos em entrevistas de emprego. O perfeccionista é um indivíduo que poderia parar, porque já está tudo bem, mas continua... É alguém que olha sua obra-prima e ainda vê erro. Um ser que pode estar em uma rotina de trabalho desumana, mas não consegue relaxar os critérios que se impõem ao seu trabalho. Nesse momento, o perfeccionista entra em colapso. 


Autora: Érica Marina

19 de maio de 2014

Procuram-se comprometidos


Procuram-se pessoas que deem satisfação. Nem sou tão exigente: não pretendo a tão bem estimada pontualidade britânica em um país de brasileiros! Seria utopia...


Procuro apenas que as pessoas lembrem-se dos compromissos assumidos e que avisem antecipadamente no caso de falta ou atraso. Para aquele que não cumpre o que prometeu ou que muda o acordado, dar satisfação seria o mínimo, não?

Será tão difícil para o brasileiro, para aquém da pontualidade, ser minimamente comprometido?

Autora: Érica Marina

6 de março de 2014

Aos invejosos


Existe um hiato grande entre minha realidade e meus sonhos. Deus pôs no meio do caminho o suficiente de condições e as necessárias dificuldades para trilhá-lo. Assim a garra, a coragem e a força de vontade que eu tenho são resultantes dessa mistura de fatores. Não são de uma fibra moral invejável, mas um fardo dolorido porém indispensável a carregar. Sinto-me condenada a ser feliz: então não tenho como questionar nem meu caminho, nem meu destino. Torço para que cada lágrima e cada gota de suor se revertam em sucesso - o que faz ainda mais renitente a minha luta.

Autora: Érica Marina

18 de fevereiro de 2014

Muita exposição, pouca análise - sobre racismo, violência, protesto e Gandhi


"É chegada a hora da reeducação de alguém
Do Pai do Filho do espirito Santo amém
O certo é louco tomar eletrochoque
O certo é saber que o certo é certo
O macho adulto branco sempre no comando
E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
Riscar os índios, nada esperar dos pretos"

(Caetano Veloso)


A moça da biblioteca vem até mim dar uma bronca vexatória e pública de que não posso portar bebidas. Mas o copo em minha mesa está vazio e limpo, fruto do meu esforço ecológico, andava com ele. E se meu copo estiver vazio? Você me viu beber, dona? Assim a gente constrói o repertório pessoal: muita exposição, pouca análise.

Do meu copo ao Brasil e do país ao mundo. Outros vários problemas estão aí expostos e tratados com pouca análise. Se o racismo é um problema nacional, as cotas geram o aparthaid social. Cada vez mais impostas, cada vez mais segregacionistas. Inclusão é diferente de divisão, mas o óbvio escapa à vista, pois não há profundidade.

E o brasileiro vai às ruas protestar (por justiça?). Eu compareci, encantada com a proposta: sem violência, ao estilo de Gandhi. Justo Mahatma, que é outro muito exposto, que poucos sabem quanto foi revolucionário ou rebelde. A não-violência pregada por ele tinha uma fibra moral impar, baseada no jihad. Como? Sim! Antes morrer por uma causa justa, que se submeter a algo que o contrarie. Quem será mal julgado agora: Gandhi ou o jihad?

Mas a luta brasileira descambou no meu julgamento e me sinto desmotivada. Estou certa? Talvez não, apesar de que não mudo minha posição. Porém, como julgar a reação com violência a um governo que nos violenta? O problemas é que somos todos semelhantes, inclusive no fato de pré-julgar. Poderíamos, pelo menos, levantar da mesa e olhar para ver se o copo do outro está vazio?!

Em outra biblioteca (talvez a mesma), porém, proibições convivem com a vista grossa da bibliotecária. Vamos fazer silêncio e nos concentrar?

Autora: Érica Marina

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