18 de fevereiro de 2014

Muita exposição, pouca análise - sobre racismo, violência, protesto e Gandhi


"É chegada a hora da reeducação de alguém
Do Pai do Filho do espirito Santo amém
O certo é louco tomar eletrochoque
O certo é saber que o certo é certo
O macho adulto branco sempre no comando
E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
Riscar os índios, nada esperar dos pretos"

(Caetano Veloso)


A moça da biblioteca vem até mim dar uma bronca vexatória e pública de que não posso portar bebidas. Mas o copo em minha mesa está vazio e limpo, fruto do meu esforço ecológico, andava com ele. E se meu copo estiver vazio? Você me viu beber, dona? Assim a gente constrói o repertório pessoal: muita exposição, pouca análise.

Do meu copo ao Brasil e do país ao mundo. Outros vários problemas estão aí expostos e tratados com pouca análise. Se o racismo é um problema nacional, as cotas geram o aparthaid social. Cada vez mais impostas, cada vez mais segregacionistas. Inclusão é diferente de divisão, mas o óbvio escapa à vista, pois não há profundidade.

E o brasileiro vai às ruas protestar (por justiça?). Eu compareci, encantada com a proposta: sem violência, ao estilo de Gandhi. Justo Mahatma, que é outro muito exposto, que poucos sabem quanto foi revolucionário ou rebelde. A não-violência pregada por ele tinha uma fibra moral impar, baseada no jihad. Como? Sim! Antes morrer por uma causa justa, que se submeter a algo que o contrarie. Quem será mal julgado agora: Gandhi ou o jihad?

Mas a luta brasileira descambou no meu julgamento e me sinto desmotivada. Estou certa? Talvez não, apesar de que não mudo minha posição. Porém, como julgar a reação com violência a um governo que nos violenta? O problemas é que somos todos semelhantes, inclusive no fato de pré-julgar. Poderíamos, pelo menos, levantar da mesa e olhar para ver se o copo do outro está vazio?!

Em outra biblioteca (talvez a mesma), porém, proibições convivem com a vista grossa da bibliotecária. Vamos fazer silêncio e nos concentrar?

Autora: Érica Marina

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