30 de julho de 2014

Dos limites da classificação


Penso muitas vezes como é limitado e limitador todo o nosso processo (humano) de aprendizado e repertório cultural, pelo simples fato de que estão alicerçados em critérios de classificação. Simples, porque classificar é justapor elementos diferentes com base em certos critérios subjetivos e cegar-nos para todas as outras características que compõem os objetos em análise.

Quando eu classifico, eu uso um critério subjetivo criado por mim ou por mim apropriado - mas com certeza inventado - e que, no cerne, não faz sentido por si só. Então, tudo o que temos como repertório depende de um ponto de vista tomado a partir de uma norma qualquer, por sua vez baseada em um paradigma instável e certamente falso.

Como podemos perceber o mundo no todo ou em cada um dos seus componentes usando os sentidos ou qualquer tipo de percepção de forma desprovida de preconceitos? O que eu chamo de verde é o mesmo que outra pessoa vê? Porque o mesmo turquesa pode ser azul para uns e verde para outros? As percepções existem em si ou dependem do receptor? Qual a verdadeira realidade?

E, seguindo mais adiante, como posso vivenciar o que quer que seja sem usar uma classificação? Que isenção podemos ter em qualquer análise? De repente, até o objetivo passa a ser subjetivo. Com a álgebra especificada a meu bem entender, dois mais dois pode me dar qualquer resultado.

Mais profundas que os problemas de linguagem, ou as falhas em comunicação baseadas em significações distintas indivíduo a indivíduo, estão as questões fundamentais do que seria a verdade despida de qualquer rótulo.

Autora: Érica Marina

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