1 de julho de 2014

Perfeccionistas, os incompreendidos



Sabemos que por ignorância muitas palavras acabam perdendo o sentido primeiro. Por isso, "perfeccionista" é o termo normalmente usado hoje em dia por narcisistas para se autointitularem. Como se perfeccionista fosse alguém insuperável que fizesse tudo de forma perfeita por destino.

Não, o perfeccionista no sentido primeiro da palavra, é aquele que busca insistentemente a perfeição. A Wikipedia define bem: "O perfeccionismo é um distúrbio neurótico no qual a pessoa sente constante insatisfação com seu desempenho e dúvidas sobre a qualidade de seu trabalho, levando o indivíduo a escrupulosidade, verificações de pormenores, obstinação, prudência e rigidez excessivas prejudicando a sua pontualidade e eficiência."

Eu me sinto perfeccionista no sentido oposto à displicência. Enquanto o displicente acha que tudo está correndo bem e então pode acabar cometendo um erro, eu fico sempre achando erro e duvidando da minha capacidade e, por acaso, posso acabar fazendo algo muito bem feito. Assim, o perfeccionista não é um arrogante, pode até ser alguém com baixa estima e auto-confiança, debatendo-se, indefinidamente, contra si mesmo nos mínimos detalhes.


Perfeccionismo é um distúrbio, uma sina, uma insatisfação constante. Uma incapacidade de perceber que não dá para abraçar o mundo e fazer tudo perfeitamente e talvez morrer tentando. Não é uma qualidade para se gabar, nem um subterfúgio para fugir de descrever defeitos em entrevistas de emprego. O perfeccionista é um indivíduo que poderia parar, porque já está tudo bem, mas continua... É alguém que olha sua obra-prima e ainda vê erro. Um ser que pode estar em uma rotina de trabalho desumana, mas não consegue relaxar os critérios que se impõem ao seu trabalho. Nesse momento, o perfeccionista entra em colapso. 


Autora: Érica Marina

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